terça-feira, 10 de março de 2015

Autismo é quase inteiramente ‘causado pela genética’, aponta estudo

RIO - Uma nova pesquisa realizada pelo Conselho de Pesquisa Médica do Reino Unido sugeriu que o autismo é quase inteiramente de origem genética, com a constituição biológica sendo responsável por entre 74% e 98% dos casos. O estudo se concentrou em um total de 516 gêmeos e descobriu que as taxas de Transtorno do Espectro Autista (TEA) foram maiores em gêmeos idênticos que compartilham o mesmo DNA, apontando, portanto, que a condição pode ser mais hereditária do que se pensava.

Publicado na revista “JAMA Psychiatry”, o levantamento também mostrou que genes foram responsáveis ​​por traços autistas e comportamentos da população em geral.

“Nossa principal descoberta foi a de que a hereditariedade do TEA foi alta. Esses resultados demonstram ainda a importância dos efeitos genéticos sobre a doença, apesar do aumento dramático na prevalência da doença nos últimos 20 anos”, observa a autora principal do estudo, Beata Tick, Instituto de Psiquiatria do Conselho.

A partir da análise de dados da base populacional do Estudo de Desenvolvimento de Gêmeos (Teds, na sigla em inglês), que abrange gêmeos criados na mesma casa, pelos mesmos pais, os pesquisadores avaliaram, no entanto, que não era possível excluir completamente a influência de fatores ambientais.

Já o professor e coautor do estudo, Patrick Bolton explicou que a comparação de gêmeos idênticos e não-idênticos é uma forma bem estabelecida de esclarecer o grau de influências genéticas e ambientais no autismo, principalmente com o aspecto inovador desse levantamento que foi a inclusão de gêmeos independentemente de terem tido um diagnóstico clínico.

“Isso nos permitiu obter uma imagem mais precisa de como as experiências ambientais de uma criança e sua composição genética são influentes no TEA, bem como em expressões mais sutis de habilidades e comportamentos autistas”, explicou.

A pesquisadora Francesca Happe afirmou, ainda, que as taxas mais elevadas de autismo nos últimos anos poderiam ser atribuídas a diagnósticos mais corretos. A desordem, um espectro de condições que varia muito de pessoa para pessoa, pode ter sido previamente classificada como uma dificuldade de aprendizagem, e não reconhecida como autismo, informou à “BBC”.

“Nossos resultados sugerem que fatores ambientais são menores, o que é importante, uma vez que alguns pais estão preocupados se fatores como alta poluição possa estar causando o autismo”, disse ela. “Algumas pessoas acham que pode haver um componente ambiental grande, porque o autismo tem se tornado mais comum nos últimos anos, mas o que aconteceu muito rápido para a genética para ser uma causa provável.”

Aprovada em 6 concursos, miss DF vira juíza aos 28: 'Houve preconceito'

Quem vê a brasiliense Alessandra Baldini atuando como juíza federal aos 28 anos não consegue imaginar a trajetória da magistrada: bacharel em direito, ela tem pós-graduação pelo Ministério Público e foi aprovada em seis concursos nos últimos três anos. As conquistas profissionais dela não se restringem, entretanto, ao mundo acadêmico. A jovem ostenta o título de Miss DF 2011 e, durante um ano e meio, seguiu carreira internacional de modelo na Ásia.

Ainda há preconceito de que uma modelo não é inteligente, mas eu sempre fui boa aluna. As pessoas ficam surpresas ao saber que uma modelo-miss passou em vários concursos e hoje é juíza federal. Na verdade isso deixa a vitória ainda mais gratificante."

A paixão pelas passarelas começou na adolescência e continuou no período da faculdade. Ela entrou para o curso aos 17 anos e, aos 18, decidiu trancá-lo para desfilar na China, Tailândia e Filipinas. "Busquei conciliar as duas carreiras, mas sempre priorizando os estudos. Embora tenha interrompido os estudos para 'modelar' na Ásia, sabia que era temporário. Serviu de experiência de vida para amadurecer como pessoa", conta.

De volta ao Brasil e depois de se formar, Alessandra decidiu então fazer uma pós-graduação e começar a se preparar para concursos públicos. Ela afirma que já quase não fazia mais campanhas, mas acabou aceitando o convite da organização do Miss DF Universo para se inscrever no concurso de 2011. A jovem decidiu interromper os estudos temporariamente mais uma vez e se candidatou ao posto. Com 24 anos, foi eleita Miss Cruzeiro e então Miss DF 2011.

"Percebi que seria uma honra ter a oportunidade de representar o Distrito Federal em um concurso de nível nacional. Além disso, a interrupção temporária da pós-graduação não geraria prejuízos à minha formação", explica. "O Miss Brasil 2011 foi realizado em São Paulo. Foram 27 participantes. Eu e mais 26 meninas ficamos duas semanas na capital paulista por conta do evento. Participávamos de eventos culturais e turísticos, bem como ensaiávamos para o grande dia. Fiquei nas semifinais."

Alessandra continuou com a rotina de miss, acordando às 6h30 e fazendo musculação, tratamentos estéticos e dermatológicos, aulas de etiqueta, teatro e maquiagem e frequentando eventos sociais até passar a coroa em 2012. Depois, mudou radicalmente a rotina. Ela passou a estudar nove horas por dia, inclusive aos fins de semana, para se dedicar às provas.

A jovem conta que no início não trabalhava. "Advogava pouco, tinha uma parceria com um escritório em que eu fazia algumas peças, mais pela prática mesmo. Os estudos eram diários, atividade física moderada e lazer mínimo. Fiz vários cursos, desde os mais genéricos até os mais específicos, e fazia várias provas de concursos diversos, bem como realizava exercícios e simulados em casa. Tive o apoio dos meus pais, até que eu fui aprovada e chamada no primeiro concurso e comecei a ter minha própria renda. Aí comecei a conciliar trabalho e estudo."
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Além da experiência na advocacia, Alessandra atuou como especialista em regulação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e analista do Supremo Tribunal Federal. Ela também foi aprovada como analista do Superior Tribunal de Justiça, defensora pública e procuradora do Banco Central. No dia 29 de janeiro, vencendo uma concorrência de 90 candidatos por vaga, tomou posse como juíza do Tribunal Regional Federal.

Para alcançar o cargo, Alessandra passou por várias etapas: prova objetiva, provas escritas, investigação da vida pregressa, exame de sanidade física e mental, teste psicotécnico, prova oral e avaliação de títulos acadêmicos. O certame aprovou 56 dos 5.209 inscritos – pouco mais de 1% dos candidatos.

Mundos diferentes
"É uma quebra de paradigma. É a transição de dois mundos completamente diferentes. Em 2012 eu ainda estava cumprindo as tarefas de miss e, em menos de três anos, estou no curso de formação de juiz federal. Embora o perfil das misses tenha se alterado, contando com meninas universitárias, ainda há o preconceito de que a miss apenas lê 'O Pequeno Príncipe'. [...] Tomar posse como juíza federal substituta do TRF é um símbolo de vitória", diz a jovem.

A magistrada conta que mesmo durante a graduação a capacidade dela era posta em dúvida. "Na época da faculdade houve preconceito. A maioria das pessoas não acreditava que eu pudesse ser uma boa aluna, já que era modelo. Ainda há preconceito de que modelo não é inteligente, mas eu sempre fui boa aluna. As pessoas ficam surpresas ao saber que uma modelo-miss passou em vários concursos e hoje é juíza federal. Na verdade isso deixa a vitória ainda mais gratificante. A quebra de paradigma funcionou como um plus na vitória."

A juíza afirma que a experiência com o mundo das misses poderá contribuir com eventuais problemas na nova etapa de vida. "Aprendi a lidar com situações adversas – concorrência, fracasso etc – desde nova, em razão da competitividade do meio da moda. Independentemente da idade da modelo, os problemas advindos da carreira são de 'gente grande'. [...] E, sim, a carreira de modelo e o miss me ensinaram a cuidar de mim mesma. Além de reforçar a vaidade, também me ajudou a ser mais disciplinada e determinada. Mantive dieta e academia, mesmo durante os estudos."

Futuro
Alessandra afirma que não pretende fazer mais concursos públicos agora. O desejo de se tornar juíza veio do contato com magistrados na faculdade, na pós-graduação e no trabalho. A ideia de ir além da aplicação da "letra fria da lei" encantou a jovem.

"É um sonho realizado. Não preciso fazer mais concurso nenhum, pois esse era exatamente o que eu queria: chegar ao TRF e ser magistrada federal. Agora é iniciar a carreira com dedicação total", diz a magistrada.

Segundo ela, o trabalho pode ser exercido em qualquer lugar do país. "O ingresso na magistratura federal implica a responsabilidade de concretizar o princípio fundamental do acesso amplo à Justiça. Há a possibilidade de ser lotada em locais mais distantes. Se isso ocorrer, será uma honra poder fazer parte desse processo de interiorização da Justiça Federal, bem como me dará a oportunidade de conhecer a realidade e a diversidade existentes em um país tão extenso e culturalmente rico como o Brasil. Essa nova fase demandará não apenas o conhecimento jurídico adquirido ao longo dos anos, mas também maturidade e sensibilidade para lidar com conflitos concretos", diz.



segunda-feira, 9 de março de 2015

Transtorno do Espectro Autista (TEA) - Diagnóstico


Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) já começam a demonstrar sinais nos primeiros meses de vida: elas não mantêm contato visual efetivo e não olham quando você chama. A partir dos 12 meses, por exemplo, elas também não apontam com o dedinho. No primeiro ano de vida, demonstram mais interesse nos objetos do que nas pessoas e, quando os pais fazem brincadeiras de esconder, sorrir, podem não demonstrar muita reação.
O diagnóstico do autismo é clínico, feito através de observação direta do comportamento e de uma entrevista com os pais ou responsáveis. Os sintomas costumam estar presentes antes dos 3 anos de idade, sendo possível fazer o diagnóstico por volta dos 18 meses de idade.
Os Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) referem-se a um grupo de transtornos caracterizados por um espectro compartilhado de prejuízos qualitativos na interação social, associados a comportamentos repetitivos e interesses restritos pronunciados (Brentani et al, 2013). Os TEAs apresentam uma ampla gama de severidade e prejuízos, sendo frequentemente a causa de deficiência grave, representando um grande problema de saúde pública. Há uma grande heterogeneidade na apresentação fenotípica do TEA, tanto com relação à configuração e severidade dos sintomas comportamentais (Geschwind, 2009).
A atual dificuldade de identificação de subgrupos de TEA que poderiam direcionar tratamentos e viabilizar melhores prognósticos, dificultam progressos no desenvolvimento de novas abordagens de tratamento destes pacientes.
A nova edição do DSM trouxe uma nova estrutura de sintomas, e a tríade de sintomas que modela déficits de comunicação separadamente de prejuízos sociais do DSM-IV, que foi substituído por um modelo de dois domínios composto por um domínio relativo a déficit de comunicação social e um segundo relativo a comportamentos/interesses restritos e repetitivos. Além disso, o critério de atraso ou ausência total de desenvolvimento de linguagem expressiva foi eliminado do DSM-5, uma vez que pesquisas mostraram que esta característica não é universal, nem específica de indivíduos com TEA.
A seguir os critérios diagnósticos do DSM-V, cuja versão original pode ser acessada aqui.
DSM-V : Transtorno do Espectro do Autismo
Deve preencher os critérios 1, 2 e 3 abaixo:
1.Déficits clinicamente significativos e persistentes na comunicação social e nas interações sociais, manifestadas de todas as maneiras seguintes:
2.Déficits expressivos na comunicação não verbal e verbal usadas para interação social;
b.Falta de reciprocidade social;
c.Incapacidade para desenvolver e manter relacionamentos de amizade apropriados para o estágio de desenvolvimento.
3.Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades, manifestados por pelo menos duas das maneiras abaixo:
4.Comportamentos motores ou verbais estereotipados, ou comportamentos sensoriais incomuns;
b.Excessiva adesão/aderência a rotinas e padrões ritualizados de comportamento;
c.Interesses restritos, fixos e intensos.
5.Os sintomas devem estar presentes no início da infância, mas podem não se manifestar completamente até que as demandas sociais excedam o limite de suas capacidades.

Justificativas:
1.Novo nome para a categoria, Transtorno do Espectro do Autismo, que inclui transtorno autístico (autismo), transtorno de Asperger, transtorno desintegrativo da infância, e transtorno global ou invasivo do desenvolvimento sem outra especificação.
A diferenciação entre Transtorno do Espectro do Autismo, desenvolvimento típico/normal e de outros transtornos “fora do espectro” é feita com segurança e com validade. No entanto, as distinções entre os transtornos têm se mostrado inconsistentes com o passar do tempo. Variáveis dependentes do ambiente, e frequentemente associadas à gravidade, nível de linguagem ou inteligência, parecem contribuir mais do que as características do transtorno.
Como o autismo é definido por um conjunto comum de sintomas, estamos admitindo que ele seja melhor representado por uma única categoria diagnóstica, adaptável conforme apresentação clínica individual, que permite incluir especificidades clínicas como, por exemplo, transtornos genéticos conhecidos, epilepsia, deficiência intelectual e outros. Um transtorno na forma de espectro único, reflete melhor o estágio de conhecimento sobre a patologia e sua apresentação clínica.
1.      Três domínios se tornam dois:
1) Deficiências sociais e de comunicação;

2) Interesses restritos, fixos e intensos e comportamentos repetitivos.

Déficits na comunicação e comportamentos sociais são inseparáveis, e avaliados mais acuradamente quando observados como um único conjunto de sintomas com especificidades contextuais e ambientais.
Atrasos de linguagem não são características exclusivas dos transtornos do espectro do autismo e nem universais dentro dele. Podem ser definidos, mais apropriadamente, como fatores que influenciam nos sintomas clínicos de TEA, e não como critérios do diagnóstico do autismo para esses transtornos.
Exigir que ambos os critérios sejam completamente preenchidos, melhora a especificidade diagnóstico do autismo sem prejudicar sua sensibilidade.
Fornecer exemplos a serem incluídos em subdomínios, para uma série de idades cronológicas e níveis de linguagem, aumenta a sensibilidade ao longo dos níveis de gravidade, de leve ao mais grave, e ao mesmo tempo mantém a especificidade que temos quando usamos apenas dois domínios.
A decisão foi baseada em revisão de literatura, consultas a especialistas e discussões de grupos de trabalho. Foi confirmada pelos resultados de análises secundárias dos dados feitas pelo CPEA e pelo STAART, Universidade de Michigan, e pelas bases de dados da Simons Simplex Collection.
Muitos critérios sociais e de comunicação foram unidos e simplificados para esclarecer os requerimentos do diagnóstico do autismo.
No DSM IV, critérios múltiplos avaliam o mesmo sintoma e por isso trazem peso excessivo ao ato de diagnosticar.
Unir os domínios social e de comunicação, requer uma nova abordagem dos critérios.
Foram conduzidas análises sobre os sintomas sociais e de comunicação para estabelecer os conjuntos mais sensíveis e específicos de sintomas, bem como os de descrições de critérios para uma série de idades e níveis de linguagem.
Exigir duas manifestações de sintomas para comportamento repetitivos e interesses fixos e focados, melhora a especificidade dos critérios, sem perdas significativas na sensibilidade. A necessidade de fontes múltiplas de informação, incluindo observação clínica especializada e relatos de pais, cuidadores e professores, é ressaltada pela necessidade de atendermos uma proporção mais alta de critérios.
A presença, via observação clínica e relatos do(s) cuidador(es), de uma história de interesses fixos, rotinas ou rituais e comportamentos repetitivos, aumenta consideravelmente a estabilidade do diagnóstico do autismo do espectro do autismo ao longo do tempo,  e reforça a diferenciação entre TEA e os outros transtornos.
A reorganização dos subdomínios, aumenta a clareza e continua a fornecer sensibilidade adequada, ao mesmo tempo que melhora a especificidade necessária através de exemplos de diferentes faixas de idade e níveis de linguagem.
Comportamentos sensoriais incomuns, são explicitamente incluídos dentro de um subdomínio de comportamentos motores e verbais estereotipados, aumentando a especificação daqueles diferentes que podem ser codificados dentro desse domínio, com exemplos particularmente relevantes para crianças mais novas.
1.O Transtorno do Espectro do Autismo é um transtorno do desenvolvimento neurológico, e deve estar presente desde o nascimento ou começo da infância, mas pode não ser detectado antes, por conta das demandas sociais mínimas na mais tenra infância, e do intenso apoio dos pais ou cuidadores nos primeiros anos de vida.
O DSM-5 também reconhece que indivíduos afetados variam com relação a sintomas não específicos do TEA, tais como habilidade cognitiva, habilidade de linguagem expressiva, padrões de início, e comorbidades psicopatológicas. Estas distinções podem proporcionar meios alternativos para identificação de subtipos dentro do TEA.
Assim, visando aumentar a especificidade do diagnóstico de TEA, o DSM-5 identifica tanto os sintomas diagnósticos principais como características não específicas do TEA que variam dentro desta população.
Apesar dos avanços genéticos em relação ao TEA, as bases genéticas associadas aos fenótipos ainda permanecem desconhecidas devido à grande heterogeneidade genética e fenotípica da doença, pois o TEA não é visto como uma doença atrelada a um único gene, mas sim uma doença complexa resultado de variações genéticas simultâneas em múltiplos genes (Iyengar and Elston 2007) junto com uma complexa interação genética, epigenética e fatores ambientais (Persico and Bourgeron 2006, Eapen 2011).
Como há uma enorme variabilidade em termos de comportamento (gravidade dos sintomas), cognição e mecanismos biológicos, construindo-se a idéia de que o TEA é um grupo heterogêneo, com etiologias distintas, eles de beneficiam de avaliação individualizada para propor a melhor composição de acompanhamento para o caso.
Aproximadamente 60-70% têm algum nível de deficiência intelectual, enquanto que os indivíduos com autismo leve, apresentam faixa normal de inteligência e cerca de 10 % dos indivíduos com autismo têm excelentes habilidades intelectuais para a sua idade (Brentani, et al. 2013).

sábado, 7 de março de 2015

Mulher virtuosa,quem a achará !?

"Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis" (Provérbios 31:10).

Infelizmente muitas mulheres têm dado mais atenção à beleza física do que a beleza espiritual, por isso a mulher virtuosa é tão difícil de ser encontrada. A passagem de Provérbios 31:10-31 descreve o tipo de mulher que o homem deve buscar para se casar, e o tipo de esposa que toda mulher deve procurar ser. 


"A beleza é enganosa, e a formosura é passageira; mas a mulher que teme ao Senhor será elogiada" (Provérbios 31:30).

Para se tornar uma mulher virtuosa é preciso se entregar dia após dia ao Senhor e ter o coração cheio do Espírito Santo, para que presença dEle chame mais atenção do que sua beleza física. A mulher virtuosa é de total confiança e o coração do seu marido confia nela. Os homens de Deus procuram por uma mulher em que possam confiar; aquela que nas dificuldades corre para os pés do Senhor e chora na presença Dele. Quando fala, fala com sabedoria e suas palavras são delicadas e doces como o mel; ela é pura e sem malícia, seus olhos não são sedutores, e o seu corpo não é usado para induzir pensamentos impuros. Se você quer ser uma mulher virtuosa, você deve, em primeiro lugar, ser exclusiva para Deus, e depois ser exclusiva para seu marido.


"A mulher sábia edifica o seu lar, mas a insensata, com as próprias mãos a derruba" (Provérbios 14:1).


Quando você busca ao Senhor sem interesses; buscando Sua face e não Suas mãos, você começa a ter mais intimidade com Ele. Deus, então, começa a se revelar e responder suas orações. Não busque o par ideal; seja você a pessoa ideal e busque as qualidades da mulher virtuosa a cada dia. 



Verso - Vislumbre...



Por Erlon Andrade

VISLUMBRE

Tentar explicar o inexplicável.
A beleza não pode ser compreendida.
Apenas contemplada
Depende muito dos olhos que observam.

Música- Rendido Estou

































Rendido Estou (part. Aline Barros)

Toma-me, rendido estou
Aos pés da cruz, me encontrei
O que tenho, te entrego oh Deus
Vem limpar as minhas mãos
Purificar meu coração
Que eu ande em tudo que tu tens pra mim
Ô ô ô ô
Eis me aqui, rendido estou
Ô ô ô ô
Eu sou teu e tu és meu
Jesus
Meus momentos, e os dias meus
Meu respirar, e meu viver
Que sejam todos, pra Ti oh Deus
Ô ô ô ô
Eis me aqui, rendido estou
Ô ô ô ô
Eu sou teu e tu és meu (2x)
Ô ô ô ô ô...
Minha vida dou, a ti Senhor
Rendido a ti estou
E pra sempre cantarei
Faz em mim o teu querer (2x)
Ô ô ô ô
Eis me aqui, rendido estou
Ô ô ô ô
Eu sou teu e tu és meu (2x)

Minha vida dou, a ti Senhor
Rendido a ti estou
E pra sempre cantarei
Faz em mim o teu querer (2x)

Os estados brasileiros mais perigosos para as mulheres

São Paulo – Só no ano de 2013, 50.320 casos de estupro foram registrados no Brasil. São 25 casos para cada grupo de 100 mil habitantes. Naquele mesmo ano, ao menos 4.580 mulheres morreram de forma violenta no país.
Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2014, e dão uma ideia do tamanho do problema no Brasil. Dentre os estados, Roraima é o que tem a maior taxa de estupros – são 66,4 casos por 100 mil habitantes. Depois vêm Mato Grosso do Sul, com taxa de 48,7, e Rondônia, com 48,1.
O país tem avançado no combate a esses crimes. Nesta semana, a Câmara dos Deputados aprovou uma lei que transforma o feminicídio em crime hediondo. O texto aguarda sanção da presidente Dilma. 
Porém, ainda convivemos com casos chocantes de violência. Nos últimos meses, alunas de faculdades como a Medicina da USP têm relatado abusos a uma CPI criada na Assembleia de São Paulo. Os agressores muitas vezes são os próprios colegas.
Outro caso de repercussão foi a entrevista do ator Alexandre Frota ao programa Agora É Tarde, da TV Bandeirantes. No programa, Frota relata ter feito sexo sem consentimento com uma mãe de santo. Conta ainda que a mulher desmaiou devido à força com que ele segurou seu pescoço.
A entrevista foi duramente criticada por entidades de defesa dos direitos das mulheres e gerou uma petição pública para que Frota seja investigado por estupro.
Num contexto como este, é importante lembrar da gravidade deste crime e da incidência que ele tem no Brasil. A tabela abaixo mostra os dados de violência contra a mulher em todo o país. É possível ver os números de estupro e tentativa de estupro, tanto em termos absolutos quanto as taxas por 100 mil habitantes. Também estão disponíveis os dados de mortes violentas de mulheres, e quanto elas representam no total de mortes desse tipo.



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16 dicas para não queimar sua imagem nas redes sociais

Em 2014, os ânimos se acirraram nas redes sociais. Copa do Mundo e eleições foram o bastante para que uma multidão se queimasse, falando demais.
O Twitter, por exemplo, registrou 21,5 milhões de posts relacionados aos presidenciáveis Dilma Rousseff e Aécio Neves. E as queixas contra crimes de ódio cresceram 84% em outubro, de acordo com a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos.
Muita gente perde o controle porque embarca no que John Suler, professor da Universidade de Rider, em Nova Jersey, apelidou de “efeito da desinibição online”, que consiste na impressão de que estar atrás de uma tela significa o anonimato. A falsa proteção aumenta a vontade de se expressar e instiga a agressividade.
Como as redes funcionam como uma vitrine, esse impulso comunicativo pode manchar a reputação na vida profissional. Engana-se quem pensa que os recrutadores ignoram os perfis sociais, como Facebook, Instagram e Twitter. Segundo um estudo do CareerBuilder, site americano de recrutamento, 51% dos 2138  empregadores entrevistados desistem de contratar um candidato após verificar suas postagens.
Mesmo quem não está atrás de emprego deve tomar cuidado: chefes e colegas observam como andam as publicações alheias. “Uma atitude inflexível em uma discussão online passa a imagem de um profissional que não sabe trabalhar em equipe”, diz Luís Testa, da Catho, site de recrutamento, de São Paulo.
Para não cair em armadilhas e correr o risco de virar meme, siga as regras para preservar (e melhorar) sua imagem virtual. 
1- Use ferramentas de privacidade 
A lista de amigos não é homogênea: tem chefes, ex-chefes, colegas e pessoas mais íntimas. Cada grupo pede um tipo diferente de mensagem. O Facebook cria filtros e listas que podem ser aplicados nos posts. Isso permite que alguém selecione só os amigos para compartilhar a foto do Réveillon, e só os colegas quando quiser postar um texto corporativo. 
2 - Pense antes de publicar
As linhas do tempo são lotadas de informações. Mas nem todas foram revisadas antes de ser publicadas. A consequência? Posts com informações falsas e erros de português.  “Não é porque a internet é veloz que temos de nos posicionar com a mesma rapidez”, diz Bia Granja, do site Youpix, especializado em internet.
3-  Reclame na medida
As redes sociais viraram um grande SAC da vida, com gente que usa os perfis só para desabafar. Reclamar de vez em quando é normal, mas ser resmungão transmite uma imagem ruim. “Nenhum recrutador verá com bons olhos uma pessoa que está o tempo todo insatisfeita com tudo”, diz Ana Luiza Mano, fundadora do grupo Psicólogos da Internet, de São Paulo. 
4- Diminua a ostentação
Há a impressão de que, na internet, todo mundo é feliz e só faz coisas incríveis. Postar imagens de viagens, restaurantes, sapatos novos e festas em excesso passa a impressão de ostentação.
O marketing pessoal exagerado não cola. Profissionais que se autopromovem assim dão a entender que não assumem falhas. 
5 - Pegue leve nas críticas às empresas 
Todo cliente lesado por algum serviço ou produto tem o direito de ficar bravo e reclamar. Desde que seja no lugar certo. Melhor falar sobre o problema com a empresa ou em sites voltados para reclamações.
Por mais que esteja irritado, mantenha a cordialidade: pode ser que, daqui a um tempo, você pleiteie uma vaga na empresa com a qual brigou. 
6- Lembre-se que a zoeira tem limites 
Até os mais bem-humorados precisam ter noção. Às vezes, uma piada pode ofender — mesmo que essa não tenha sido a intenção. Avalie o tom do post e nunca faça comentários ofensivos disfarçados de piadas.
Brincar com as minorias está fora de cogitação: as empresas valorizam quem sabe lidar com a diversidade. 
7 - Analise as redes
Cada rede tem um perfil específico que deve ser levado em conta. Não pega bem postar convite para seu aniversário no LinkedIn ou compartilhar seu currículo no Facebook. 
8 - Publique com moderação
Crie uma rotina para seus posts e uma frequência tolerável para se expor online. Quem escreve demais parece que está viciado, comportamento que pode prejudicar a produtividade e ser malvisto pelos chefes. 
9 -Seja coerente
As redes sociais devem refletir quem você é na vida real. Não adianta se esconder atrás da tela e criar uma imagem diferente da mostrada no trabalho.
As pessoas percebem a incoerência e ficam em dúvida sobre a personalidade. Preste atenção também nos seus contatos: não adianta tomar cuidado com o perfil se todos os seus amigos parecem ser exatamente o contrário de quem você é.
10 - Saiba que o anonimato é lenda
Antes de publicar qualquer coisa, imagine se teria coragem de dizer aquilo pessoalmente, sem se envergonhar ou se arrepender no futuro. Na dúvida, apague o que escreveu. Essa atitude demonstra maturidade e o entendimento de que nem tudo precisa ser compartilhado. 
11 - Controle as emoções
Todo mundo perde a cabeça e fala bobagem. Só que na internet o escorregão, às vezes, fica imortalizado. Respire fundo antes de se manifestar. Responder com classe a uma provocação impressiona os chefes, pois significa inteligência emocional.
12 - Evite falar sobre sua empresa
Se estiver com um problema no seu trabalho, não espalhe nas redes. Fazer isso não soluciona nada e só gera mal-estar — além de mostrar que o profissional não tem maturidade para chamar o chefe para conversar e tentar resolver a questão. 
13- Cuidado com a linguagem
Vários mal-entendidos ocorrem porque as palavras para certos posts não foram bem escolhidas e possuem um tom indelicado ou irritado. Evite caixas altas, por exemplo, que são consideradas gritos na internet. 
14 - Mantenha a discrição
Se a discussão com um de seus contatos ficar mais séria, opte por uma conversa particular para evitar a exposição de seus problemas ou pontos de vista polêmicos. Discrição na hora de resolver pendências é uma competência essencial em momentos de crise. 
15- Leia a política de privacidade 
As empresas têm regras claras para o uso das redes sociais no ambiente corporativo. Descobrir qual é o código de conduta adotado pelo local onde trabalha minimiza erros, como compartilhamento de informações sigilosas.
16 - Saia da bolha
A dinâmica das redes contribui para que apenas conteúdo parecido com o que você posta apareça na linha do tempo. Isso colabora para que as pessoas ignorem que existem opiniões e assuntos diferentes.
É importante dar valor a informações que não fazem parte do dia a dia.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Artigo - O mundo fantástico dos sonhos e o surgimento do mito

Por Joás de Jesus Ribeiro

O mito ao contrário do que se pensava não foi inventado e nem criado como chega acontecer com as fabulas, mas ele é a manifestação daquilo que ocorre no período geralmente noturno, ou seja, nos sonhos. Essa definição é apresentada pela psicanálise, isso não descarta a definição filosófica de mito como representação do mundo, a psicanálise veio elucidar qual o processo que participa dessa representação. Na obra de Joseph Campbell, o herói de mil faces, a demonstração gira em torno da visão clinica que o mito vem se manifestar. É do inconsciente que os desejos aparecem sem uma restrição ou ate pudor, um mundo onde é possível realizar qualquer coisa e satisfazer os desejos. Pode-se dizer que são onde o mito nasce de fato e que logo após o sono, será no estado de vigília que eles são narrados e pensados ou apenas venerado como possivelmente ocorreu e ocorre com civilizações primitivas que chegam ate considerar um outro mundo e vida além desta. Foi do mundo desconhecido do sonho que as religiões se fundamentaram mais tarde nos hinos e cânticos de louvores aos deuses ou Deus, assim como a elaboração das suas escrituras sagradas. Os poetas e profetas deixam devidos créditos aos sonhos que são considerados revelações divinas, com esse significado o homem pôde fundamentar a sua crença, moral e costumes dando forma e face para a sua cultura. É diante do sonho que o homem considera possível a relação direta com o sagrado e onde os deuses ou Deus podem falar com ele e lhe entregar a mensagem a sua tribo ou aos povos, não é de se ignorar que ate hoje existem seitas ou religiões que veneram o sonho como fator crucial para uma revelação. Mesmo com o mapeamento do cérebro pela neurociência e a descoberta dos mecanismos que provocam o sonho ele ainda tem se demonstrado um mistério do inconsciente estudado pela psicanálise.

Palavra-chave: mito, manifestação, sonhos, psicanálise e sagrado.
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1 Introdução:
Para a psicanálise são dos sonhos que os mitos têm sua origem, é nele que o mundo fantástico é criado ou descoberto, então ela se preocupa em desvendar o que vem sendo mostrado pelos sonhos e apresentam a sua interpretação que têm como objetivo ajudar o paciente a superar determinada dificuldade que prejudica o seu cotidiano. O sonho revela as necessidades que o inconsciente têm que é reprimido ate mesmo por uma postura e conduta do paciente. O desejo aparece manifestado nos sonhos, por isso é comum ao empregado que durante o dia é humilhado pelo patrão ou chefe durante a noite sonhar discutido com ele quando não o lança pela janela do andar mais alto, a casos que um ente querido fala como se nada tivesse acontecido, ele torna a sua rotina e conversa no sonho, a rotina em uma atemporalidade sem um espaço físico definido. Talvez aconteça isso devido a saudade que a pessoa têm do ente querido e possui o desejo de vê-lo novamente. O medo também faz parte dos sonhos construídos pelo inconsciente, é comum o relato de pessoas caindo de um edifício ou sendo perseguidos por uma fera. A censura e o desprezo por algo podem muitas vezes surgir como desejo no inconsciente, sonhar em comer um alimento muito calórico quando se está de regime, assim como obter o ato sexual em sonho são fatores que revelam deficiência ou necessidades físicas do corpo, desde um obeso ao atleta e um compulsivo sexual ao religioso e castidade. Eles podem sonhar com aquilo que expressa os desejos mais íntimos para aqueles que ignoram no estado de vigília, ate o desejo explicito que se busca um domínio. Pois é o mundo de realizações, previsões, revelações e mensagens confusas, o qual forma os mitos como se conhecem, será nele a construção de uma moral e regras que através dessas experiências “inefáveis” toda uma sociedade e cultura serão fundamentadas, sejam guiados pelos poetas ou profetas os mitos tiveram e tem grande importância.

O inconsciente envia toda espécie de fantasias, seres estranhos, terrores e imagens ilusórias – seja por meio dos sonhos, em plena luz do dia ou nos estados de demência; pois o reino humano abarca, por baixo do solo da pequena habitação, comparativa corriqueira, que denominamos consciência, insuspeita caverna de Aladim. Nelas há não apenas um tesouro, mas também perigosos gênios: as forças psicológicas inconvenientes ou objetos de nossa resistência, que não pensamos em integrar – ou não nos atrevemos a fazê-lo – à nossa vida. Essa forças podem permanecer insuspeitadas ou, por outro lado, alguma palavra casual, o odor de uma paisagem, o sabor de uma xícara de chá ou algo que vemos de relance pode tocar uma mola mágica, e eis que perigosos mensageiros começam a aparecer no cérebro. Esses mensageiros são perigosos porque ameaçam as bases seguras sobre nas quais construímos nosso próprio ser ou família. Mas eles são, da mesma forma diabolicamente fascinantes, pois trazem consigo chaves que abrem portas para todo o domínio da aventura, a um só tempo desejada e temida, da descoberta do eu. Destruição do mundo que construímos e no qual vivemos, assim como nossa própria destruição dentro dele; mas, em seguida, uma maravilhosa reconstrução, de uma vida mais segura, límpida, ampla e completamente humana – eis o encanto, a promessa e o terror desses perturbadores visitantes noturnos, vindos do reino mitológico que carregamos dentro de nós.
(CAMPBELL,1992)

2  O fenômeno dos sonhos
Diante desse fenômeno, sonho, o homem primitivo não soube pormenor explicar o que era aquilo, o misterioso visitante das vezes que dormia. Foi nessa situação de contemplação de algo desconhecido, talvez com o sonho de caçar os mais perigosos dos animais de seu convívio ou fora dele que surge o resquício de um herói capaz de enfrentar os seus medos e dificuldades. Porventura no seu estado de vigília este sonhador anunciasse o feito de um homem em um mundo fora deste que conquistou a mais temida besta fera já criada pela natureza. Os feitos desse herói passaram de geração a geração sendo narrados em cânticos ou poesias ao redor das fogueiras que guardavam os homens do desconhecido mundo da escuridão afora.

3 O divino e o sonho
A melhor forma de Deus ou deuses entrarem em contato com os homens era através dos sonhos, alguns se revelavam em imagens quase inefáveis, de outro era apenas possível ouvir a sua voz, enquanto uns apareciam através do fogo.  Este último que protegia os homens do desconhecido da escuridão, mas que não permitia que se aproximasse muito se não seriam consumidos, portanto os antigos perceberam que o fogo estava diretamente ligado com o sagrado era com ele que os sacrifícios a Deus ou deuses deveriam ser feito. O cordeiro era imolado como sacrifício a Deus, o boi era sacrificado para libertação dos espíritos dos mortos, assim como aves, répteis e outros animais que eram oferecidos nos ritos de passagem, todos esses sacrifícios oferecidos no fogo que consumiria e levaria para Deus e deuses, que receberiam o sacrifício como cheiro suave em suas narinas seguido de adoração e louvores que era o que mais Deus e deuses se agradavam. Com o dever comprido a caça seria abençoada, a tribo teria guerreiros fortes para protegê-la, mais tarde com o aparecimento das cidades tais crenças permaneceriam preservadas nos mitos e ritos.

Quando passamos, tendo essa imagem em mente, à consideração dos numerosos rituais estranhos das tribos primitivas e das grandes civilizações do passado, cujo relato chega até nós, torna-se claro que o propósito e o efeito real desses rituais consistia em levar as pessoas a cruzarem difíceis limiares de transformação que requerem uma mudança dos padrões, não apenas da vida consciente, como da inconsciente. Os chamados ritos [ou rituais] de passagem, que ocupam um lugar tão proeminente na vida de uma sociedade primitiva (cerimônias de nascimento, de atribuição de nome, de puberdade, casamento, de morte, etc), têm como característica a pratica de exercício formais de rompimento normalmente bastante rigorosos, por meio dos quais a mente é afastada de maneira radical das atitudes, vínculos e padrões de vida típicos de estágios que ficou para trás. Segue-se a esses exercícios um intervalo de isolamento mais ou menos prolongado, durante o qual são realizados rituais destinados az apresentar, ao aventureiro da vida, as formas e sentimentos apropriados à sua nova condição, de maneira que, quando finalmente tiver chegado o momento do seu retorno ao mundo normal, o iniciado esteja tão bem como se tivesse renascido.
(CAMPBELL,1992)

4 Poetas e profetas
Os mitos estão diretamente legados com o sagrado, pois coube aos poetas e profetas por intermédio de uma inspiração divina passar a mensagem entregue por Deus ou deuses. Essas mensagens provem muitas vezes dos sonhos, por isso Daniel um profeta da tradição judaico-cristã recebia suas profecias ou visão através dos sonhos. Com figuras e imagens que revelam situações que normalmente as pessoas podem sonhar, principalmente um homem que viveu em um período de crise cultural do seu povo. Há também varias historias de monges budistas e hindus que sonham com figuras sagradas que lhas entregam mensagens que se tornaram importantes para as suas religiões. Pouco se conhece sobre a religião dos gregos mais o que se sabe é que os poetas recebiam das musas a inspiração para narrarem do arquétipo aos feitos heróicos de personagens lendários que por sua vez deixam, exemplos para as gerações que surgiram depois dos feitos. O sonho é o maior responsável pela existência e crenças nessas revelações divinas, pode-se considerar o sonho o principal fundador de varias religiões, e o contribuídor das sagradas escrituras de diversos povos. O ethos se manifestou junto com os mitos para formação de excelentes membros das comunidades primitivas, o mito busca passar para as gerações futuras a forma ou postura e conduta de um individuo. O sagrado é constituído de todos os conjuntos de valores que uma determinada sociedade pode atribuir a uma crença, é ele que aponta o que pode ou não ser considerado crucial para, por exemplo, uma religião. Geralmente o sagrado possui seus representantes entre os homens que são os sacerdotes, somente eles adotam todo um sistema de costumes e crenças que os separa dos demais membros da comunidade, só eles escutam a voz de Deus ou deuses e possui a capacidade de passar ao povo o necessário. Os próprios membros sabem da importância de ter um líder religioso que realize tarefas que um individuo comum não teria tempo para fazer.

Hoje com o avanço da neurociência, algumas proposições do pai da psicanálise foram corroboradas, enquanto as atribuições sobrenaturais vem sendo a cada dia questionadas, ou seja, o mapeamento do cérebro demonstrou que mesmo com dormindo o cérebro continua com sua atividade normal. Segundo pesquisas da área o sonho não é algo próprio dos seres humanos, mas outras espécies de animais também sonham, esse momento geralmente noturno se manifesta com elementos recentes, ou seja, com aquilo que acontece durante o dia.

Um cão pode sonhar passeando, ou brincando com um osso, isso pode representar o seu desejo em realizar essas tarefas que antes fez com seu dono ou sozinho durante o dia. Logo esse fator retira dos humanos a legitimidade de que só eles “sabem” sonhar. Mesmo com as criticas que a psicanálise vem sofrendo no próprio meio acadêmico boa parte de suas teses ainda são fortes e essenciais para a compreensão da mente humana, não no sentido de demonstrar o mecanismo como faz a neurociência, mas como identificar os códigos e significados que os sonhos trazem  para o paciente talvez as preocupações ou questões que existiam no século XX sobre a mente, voltado ao mecanismo tenha sido ou esteja sendo respondido pela ciência. Mas existem perguntas de dimensões filosóficas que tanto a psicanálise como a neurociência buscam também repostas. Desde o que é a consciência a questões de relação entre a mente e corpo. Atualmente os projetos de pesquisas cientificas apresentam a energia escura como solução de problemas para a compreensão do sistema cerebral. Isso trouxe um forte dialogo entre filosofia e ciência, a psicanálise também pode tirar algumas duvidas acerca do funcionamento do cérebro quando o individuo está dominado e criando o mundo fantástico no seu inconsciente.

5 Considerações finais
Mesmo com a ciência definido o processo ou mecanismo do sonho ainda existe toda uma atribuição mística, o que faz parte de uma cultura e crenças dos povos, mesmo vivendo diante de tecnologias, a tradição que eleva os sonhos ao patamar de sagrado é bem forte, a ponto de escritores religiosos explorarem o assunto, para os seus fieis tanto religiões proféticas como o judaísmo, cristianismo e islamismo quanto as espiritualistas e sapienciais do oriente possui suas posturas doutrinarias diante dos sonhos, ou seja, o sonho está diretamente manifestado no sagrado. Aonde tem o sagrado existe o mito como aquele propulsor de valores e condutas morais para os indivíduos. Nem todos de inicial estão “preparados” para enfrentar algumas proposições que a psicanálise pode apresentar no que cerne a sua linha de estudo e pesquisa, por isso durante muito tempo alguns volumes das Obras de Freud não eram mais lidos devido o incomodo e angustia que causavam ao demonstrar o homem como aquele onde a sexualidade está presente todo o tempo. Diga-se de passagem, o sexo é algo que desperta curiosidade, mas por causa da postura e censura cultural, saber de determinados desejos provoca repugnarão daqueles que têm contato com a obra, é próprio do juízo de valor tradicional. Entender o sonho é desvendar o inconsciente de um individuo, é se expor ao psicanalista, que de forma ética não terá postura preconceituosa ou repressora, mas buscará ajudar o paciente em suas dificuldades. Talvez ajude até mesmo superar determinadas patologias que afetam a relação social do individuo como, por exemplo, as psicopatologias, a depressão e outras doenças que afetam a vida e a mente daqueles buscam ajuda com essa ciência que mesmo sendo questionada trouxe grandes contribuições.

                   
BIBLIOGRAFIAS
Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Editora Cultrix, São Paulo. Ano 1996.
Szklarz, Eduardo. Por que sonhamos? Das velhas teorias psicanalíticas à moderna neurociência; que a ciência sabe sobre esse curioso fenômeno? Super Interessante, São Paulo; edição 240° - A , p 57, junho- 2007.