sábado, 21 de junho de 2014

Diga NÃO a adultização infantil!








                                                   

                          OS PERIGOS DA ADULTIZAÇÃO INFANTIL



Por: Marcos Tuler

“Tudo o que será aprendido deve ser disposto segundo a idade, para que nunca se ensine nada que não possa ser compreendido”. (Comenius – Didática Magna)


“O aprendizado depende do nível de desenvolvimento do indivíduo. Ele não pode aprender o que suas estruturas cognitivas ainda não podem absorver” (Piaget).

“Quando eu era criança falava como criança, sentia como criança, discorria como criança” (1 Co 13.11).

INTRODUÇÃO
Hoje em dia, as crianças estão se comportando como se fossem “pequenos adultos”. Cada vez mais cedo, elas assumem responsabilidades, disputam posições em determinadas atividades, buscando múltiplas competências. Desprotegidas, recebem de forma direta a influência de uma sociedade que exige seres perfeitos. 
Como se isso não fosse bastante, muitos pequenos sentem o peso das exigências de “gente grande” como a falta de dinheiro ou o problema do desemprego na família. 
Esse seminário tem por objetivo questionar a adultização da criança nos dias atuais, discutir suas principais causas e consequências, e apontar a necessidade de mobilização de toda sociedade, especialmente a cristã, a fim de resgatarmos a infância perdida de nossas crianças. O que podemos fazer como cidadãos, pais e educadores cristãos, diante desse processo de adultização da infância? Afinal, o que é infância?

I. A INFÂNCIA CONSIDERADA HISTORICAMENTE
1. A infância na Idade Média.
Até o século XVI, as crianças eram vistas como “adultos em miniatura”; símbolo da força do mal; um ser imperfeito esmagado pelo peso do pecado original, ou simplesmente um companheiro natural do adulto. 
Neste sentido, a infância era concebida apenas como um percurso para a vida adulta. Uma visão negativa, pois, nesta idéia, a criança seria um ser inacabado; sem nada específico e original, sem valor positivo. 

2. A infância resgatada nos tempos modernos.
No decorrer da história da infância aconteceram diversas transformações do pensamento social em relação á família e á própria infância. A partir do século XVI começa a surgir na sociedade o sentimento e a idéia de infância. A criança, antes relegada ao último plano, passou a conquistar seu espaço social. Desde então, surgiram várias pesquisas fortalecendo o reconhecimento cultural dos pequenos. 
Dentre os pesquisadores, Jean Jaques Rousseau (séc. XVIII) merece notoriedade. Em sua obra “Emílio”, na qual defendeu a criança como detentora de uma natureza própria que deve ser desenvolvida, assim asseverou: “A infância é, também a idade do possível. Pode-se projetar sobre ela a esperança de mudança, de transformação social e renovação moral”. E tal visão, perpetuou-se ao longo dos tempos ainda que de forma não linear.

3. A infância nos dias de hoje.
A idéia de infância ressurge fortemente com a sociedade capitalista, urbano-industrial, na medida em que muda a inserção e o papel social desempenhado pela criança na comunidade. 
No decorrer dessas transformações e devido ao amadurecimento do pensamento social, a criança passou a conquistar seu reconhecimento na sociedade. A segunda metade do século XX é considerada o período da legitimação do direito da criança. Ela deixa de ser uma “criança-adulto”, para ser um sujeito social. Todavia, é preciso destacar que junto a essas conquistas de reconhecimento dos direitos da criança e sua valorização surgiram também determinadas condições. A mesma sociedade que legitima esse ser social usa de poder para manipulá-lo e sujeitá-lo às novas correntes de pressão social. O cenário da criança hoje, devido a diversas circunstâncias, aponta para uma infância a caminho do desaparecimento. Uma fase que após anos de construção, encontra-se em processo de extinção. 

II. OS VILÕES DA INFÂNCIA
Durante muitos séculos a sociedade agiu de maneira indiferente com relação à infância. As crianças, de maneira muitas vezes sutil ou subliminar, são pressionadas a serem pequenos adultos. Imitam hábitos e costumes dos adultos e muitas vezes já nem sentem alegria pela infância, seu desejo é alcançar a maioridade. 
1. As mídias, de modo geral. Em se tratando de poder, as mídias são atualmente fortes instrumentos de influência e manipulação na educação e construção desses novos seres “adultizados”. No Brasil, as músicas que as crianças cantam, não são mais tão infantis. As maquiagens, roupas e calçados copiam o adulto como se os gostos fossem os mesmos. As danças sensuais e canções com palavras obscenas já fazem parte do repertório preferido dos pequenos. Meninas usam roupas e objetos que estimulam a sexualidade precoce, assistem aos mesmos programas de televisão e falam a mesma linguagem dos adultos. Garotinhas usam salto alto e meninos de apenas cinco anos de idade já querem se vestir como adultos e já não aceitam usar roupas que possuam qualquer desenho infantil que os faça parecer crianças. Abraçar e pegar na mão do filho é considerado motivo de vergonha. Crianças trabalham e apresentam programas de televisão.
2. Videogames e filmes. Os jogos infantis também mudaram, a diversão agora são os videogames e os filmes repletos de violência. Os brinquedos já vêm prontos, tudo é industrializado, só é preciso manusear. Campeonatos infantis é atração para os pais, que cobram dos filhos ótimos resultados de placar. E quanto a alimentação não há mais distinção entre o lanche do adulto e da criança, todos devem saborear os deliciosos "hambúrgueres" em qualquer tempo. Sem falar da literatura infantil que também está mudando. Até as ruas que antigamente eram lugar de socialização, hoje refletem a falta de relacionamento e interação entre pessoas. 

III. REAIS OBJETIVOS DA ADULTIZAÇÃO
Mas afinal, qual a razão de se negar às crianças a alegria das brincadeiras espontâneas? Por que lhes podar a criatividade de fabricarem seus próprios brinquedos? Qual o motivo da sociedade aplaudir tudo isso como se fosse algo natural?
1. Interesse econômico. O fato inegável é que há um interesse econômico por detrás desta realidade. Uma intenção que possui um objetivo: educar as crianças a serem consumidores em potencial. Educar para o consumo e para a submissão de idéias. Produzir consumidores mirins que satisfarão cada vez mais os desejos desse sistema que insiste em condicionar o verdadeiro sentido da infância ao status, dinheiro e mecanização. As crianças estão sendo pressionadas a crescerem depressa, quando na verdade deveriam respeitar seu processo de desenvolvimento, pois não pensam, não sentem nem aprendem como os adultos. Elas precisam de tempo para crescer e pressioná-las a viver como adultas só produzirão seres com dificuldades, inseguranças e conflitos no futuro. 

IV. ADULTIZAÇÃO NO ÂMBITO DA IGREJA
1. Cantores, pregadores e mestres mirins. Muitas crianças têm perdido a infância por conta de certos “educadores” que no intuito de realizarem nelas o que gostariam para si mesmos, podam-lhes a alegria, a imaginação, a inventividade e o divertimento. Às vezes, são pais que gostariam de ser cantores, pregadores ou professores de escola dominical, mas que por falta de vocação natural, ou até mesmo de uma chamada divina específica, projetam nos filhos, seus sonhos ou objetivos não-realizados. 
Quem nunca viu um menino com menos de dez anos vestido de terno e gravata, cantando, pregando ou dirigindo um culto. E na escola dominical, quantas meninas e meninos são colocados à frente de uma turma, quando na realidade, deveriam estar aprendendo em uma classe de sua faixa-etária.

V. O QUE É SER CRIANÇA? O QUE DIZ A PEDAGOGIA ATUAL?
Na verdade, o que se fala hoje a respeito da infância não condiz com a realidade das nossas crianças, nem com o que fazemos com elas. 
É preciso resgatar a verdadeira infância, na qual há um mundo de fantasia, imaginação, criatividade e brincadeiras. Aqui entra o papel do pedagogo cristão, pois como estimulador do conhecimento, poderá trazer para o espaço da escola dominical desafios e valores que conduzam seus alunos a descobrirem a verdadeira identidade da criança segundo os ensinamentos da Bíblia. 
Poderá trabalhar dentro dos estágios de desenvolvimento da criança, incentivá-la na leitura da vida e não apenas da palavra, estimulando-a a ler nas "entrelinhas" e a constituir-se como um cidadão capaz de transformar sua própria realidade. Como educador evangélico poderá também questionar junto aos educandos a postura das mídias e se posicionar como um instrumento iluminador de pensamentos e idéias. 
Aqui entra a intervenção dos pais, professores de escola dominical, pastores, e de toda a sociedade, que precisa romper com os muros do doutrinamento consumista. Devemos exigir dos setores sociais, inclusive da própria família, da igreja e dos setores de comunicação, uma educação que valorize mais o ser do que o ter. Uma censura a ser respeitada, digna do público infantil e até a criação de um código de defesa do telespectador ou leitor de mídias. É preciso acreditar numa educação de qualidade para todos, a qual prepare as crianças para conhecer, fazer, ser e conviver. 

CONCLUSÃO
A história da criança não deve retroceder a um passado de isolamento, e sim estabelecer-se como a história de um sujeito possuidor de direitos, inclusive o direito de voz e o de não ser manipulado pelos adultos. Está-nos proposto o desafio: protegeremos a infância ou continuaremos a reproduzir os interesses de um sistema que insiste em nos dominar?




Pr. Marcos Tuler é pedagogo, escritor, conferencista e reitor da FAECAD (Faculdade de Ciência e Tecnologia da CGADB). 













sexta-feira, 13 de junho de 2014

Os 9 tipos de comentaristas da Copa no Facebook






Agora não tem mais jeito. A bola já está rolando pelo Brasil inteiro, e #VaiTerCopaSim. Depois do pontapé inicial (com direito a exoesqueleto ignorado pelas emissoras de TV), começou a Copa e com ela chegaram os comentaristas de Facebook, cada um com um comportamento diferente em relação ao torneio.
Nós, do Olhar Digital, não estamos alheios à competição e conseguimos observar alguns perfis padrão de comentaristas de Copa no Facebook. Vamos a eles:


1 “Brasileiro desde criancinha”
Com esta pessoa não tem conversa. É Copa do Mundo, amigo, e a seleção brasileira está jogando. É hora de comemorar o gol do Brasil, acompanhar todos os jogos e torcer pelo título, independente se houve ou não abusos com dinheiro público ou violação de direitos. Vale pintar o rosto, fazer e postar selfies com o uniforme verde-e-amarelo, chamar amigos por eventos na rede e encher os posts com hashtags otimistas.

Frase típica: “VAI BRASIL!!!”

2 Questionador
Não consegue se desligar do futebol e gosta de acompanhar a Copa, mas também não consegue ignorar os problemas enfrentados pelo país para a realização do evento.Compartilha frequentemente notícias sobre atraso nas obras, destaca os protestos e questiona a validade de sediar o evento com o argumento de que o país deveria destinar recursos para educação e hospitais, não para futebol.

Frase típica: “Com Copa ou sem Copa, a repressão aos protestos não é natural”

3 Piadista
Curte mais a “zuera” do que o futebol em si e vai compartilhar todas as piadinhas que aparecerem em seu feed. Na verdade, ele assiste ao jogo atrás do comentário sagaz que lhe renderá algumas curtidas.

Frase típica: “Marcelovic”

4 O "PVC", em referência ao comentarista Paulo Vinícius Coelho
É fã de futebol demais para torcer para qualquer seleção. Quer saber de todos os jogos, não para apoiar alguma das equipes, mas para admirar quesitos táticos e técnicos; no máximo, torce por jogos de qualidade.

Frase típica: "Qualquer uma que faça referência a táticas usando números como '4-4-2', ou criticando tecnicamente a participação de um jogador.

5 Do contra
Existe quem não gosta da seleção brasileira de futebol, mesmo sendo brasileiro, por inúmeros motivos: insatisfação política, falta de de empatia com os jogadores ou simplesmente sadismo por ver seus compatriotas se dando mal. De qualquer forma, esta pessoa torcerá contra o Brasil sempre que possível, e, claro, deseja ver a Argentina campeã em pleno Maracanã lotado.

Frase típica: “Gol da Croácia!!!”

6 Oba-oba
O futebol fica em segundo plano, mas não por motivos políticos. Ele está preocupado com o churrasco, entornar a cerveja e fazer a festa, mesmo que a bola rolando seja apenas um detalhe. Na verdade, se ele estiver em condições físicas de assistir ao jogo, fracassou em sua missão.

Frase típica: Não tem. Vai postar uma foto tirada com os amigos, a carne e as bebidas, talvez com a legenda “iniciando os trabalhos”.

7 O desconfiado
Não consegue ter “patriotismo de futebol” o suficiente para curtir cegamente a vitória do Brasil sobre a Croácia com ajudinha do árbitro. Pode postar alguma teoria da conspiração de favorecimento ao escrete nacional ou fazer comentários mais sutis sobre isso.

Frase típica: “Essa Copa tá comprada!”

8 Esculhambador da República
Não quer saber de Copa. Era a pessoa que usava a hashtag #NãoVaiTerCopa e está insatisfeita com o modo como o evento foi conduzido desde 2007 e desistiu de acompanhar o futebol durante a competição. Ele pode até gostar de bola, mas a insatisfação é grande demais para se divertir, logo, vai usar as redes sociais para manifestar desaprovação aos responsáveis.

Frase típica: Alguma criticando a presidente Dilma Rousseff

9 O chato
É o esculhambador que decide criticar e atacar aqueles que decidem curtir a festa que é uma Copa do Mundo. Não aceita que as outras pessoas apoiem o Brasil, não quer que seus amigos vão ao estádio e critica qualquer publicação relacionada ao evento. Em ocasião do jogo do Brasil, pode mandar as pessoas "lerem um livro" ou então deixar claro que não está assistindo à partida por fazer alguma outra coisa "mais útil".

Frase típica: “Enquanto você grita gol, eles te roubam”. Pode usar frases como “alienado” e “pão e circo”.



quinta-feira, 12 de junho de 2014

Estudante maranhense é encontrado morto em São Paulo










Infelizmente o estudante Danilo Telles foi encontrado morto. Deus conforte essa família, que vai precisar de todo apoio.

Meus sentimentos L

Oremos:


‘’Senhor meu Deus, criador e redentor de todos os homens, concedei a alma ao vosso servo Danilo Telles, a remissão de todos os seus pecados. Ouvi, piedoso Senhor, a prece que humildemente Vos dirijo, e alcançai à sua alma o perdão, a fim de que ele possa cantar os Vossos louvores no Céu eternamente. Concedei-lhe, Senhor meu, a mansão do refrigério. A bem-bem-aventurança eterna e o resplendor da Vossa luz. Deus eterno, misericordioso e justo, Vós que desejais a salvação de todas as criaturas humanas, a Vós suplico a Vossa clemência para que nela goze de felicidade eterna. Atendei, Senhor, a minha prece, mostrai-Vos compassivo para com a alma desse Vosso servo Danilo Telles e concedei-lhe que, purificado dos seus pecados, possa a sua alma estar Convosco por todos os séculos dos séculos. ‘’

AJUDEM! Estudante maranhense desaparecido em SP





O estudante maranhense Danilo Telles, filho do professor Eduardo Telles, está desaparecido em São Paulo, desde ontem (11).

Segundo o próprio pai, que tem pedido ajuda para localizá-lo via redes sociais, o filho estabeleceu o último contato quando estava em Igaratá, no interior de São Paulo.






Informações podem ser repassadas à família pelos telefones 8800-8841 e 8199-8363.
Em tempo: em comentário ao blog(http://gilbertoleda.com.br/), Eduardo Telles informa que o telefone para contato direto com ele é o (98) 9972-6201.





quinta-feira, 8 de maio de 2014

Volta do Exílio







Salmo 125

Volta do Exílio
1 Cântico das peregrinações.
Quando o Senhor reconduzia os cativos de Sião, estávamos como sonhando. 
2 Em nossa boca só havia expressões de alegria, e em nossos lábios canto de triunfo. Entre os pagãos se dizia: O Senhor fez por eles grandes coisas. 
3 Sim, o Senhor fez por nós grandes coisas; ficamos exultantes de alegria! 
4 Mudai, Senhor, a nossa sorte, como as torrentes nos desertos do sul.
5 Os que semeiam entre lágrimas, recolherão com alegria.
6 Na ida, caminham chorando, os que levam a semente a espargir. Na volta, virão com alegria, quando trouxerem os seus feixes.





Pra você sorrir ( Marcele Taís)

Pra você sorrir
Sábia decisão é decidir amar
Desprendido pra poder subir pro
Céu que o rico não pode comprar

Pra você sorrir
Leve só o que faz bem pro coração
Um carinho pode tudo unir
Faz tão bem curar-se com perdão

Às vezes só nos falta um pouco de humor
Às vezes só nos falta pôr mais amor

No jardim sem cores
No tempo dará flores
Se plantei chorando
Sorrindo eu vou voltar

Pra você sorrir
Sábia decisão é decidir amar
Desprendido pra poder subir pro
Céu que rico não pode comprar

Pra você sorrir
Olha a leveza da criança
Sem a certeza ri e dança
Quanta beleza há na confiança








terça-feira, 6 de maio de 2014

Estilista faz vestidos inspirados em pétalas de flores




Uma jovem estilista de Cingapura decidiu transformar o tradicional esboço da moda em uma forma ilustrativa inovadora. Ao invés de desenhar vestidos com lápis coloridos e aquarela, Grace Ciao faz um design inspirado nas cores e modelos das pétalas de flores.
A ideia é que o novo desenho combine perfeitamente com as ilustrações de linha do tecido para produzir um novo tipo de tendência, em que, corpetes e saias floridas estejam bem conectados com a natureza.

























                                                                                  



                                                                                  










sábado, 19 de abril de 2014

Conheça os preceitos da antroposofia



Estimulando criatividade, alimentação saudável, amor à natureza e equilíbrio espiritual, a antroposofia está mostrando que é possível viver melhor e mais feliz, como nos velhos bons tempos






Reportagem: Aline Salve - Edição: Amanda Zacarkim


A antroposofia está fascinando muitos brasileiros. Pelo menos 700 médicos utilizam-se de seus princípios, recorrendo a chás e outras receitas caseiras e evitando o excesso de medicamentos. E já há 13 escolas, disputadíssimas, nas quais as crianças aprendem primeiro a viver a vida, envolvidas em atividades realmente infantis, em vez de serem preparadas para o mercado de trabalho. Existe também um grande laboratório (Weleda), que fabrica remédios, chás e cosméticos naturais, uma editora (Antroposófica), com dezenas de títulos publicados, e até o luxo de uma rede de produtores agrícolas biodinâmicos, que fornece queijos, iogurtes, pães, verduras e frutas de qualidade.

Criada no começo do século XX pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), essa ciência humanista vem sendo aplicada em áreas tão diversas como medicina, educação, agricultura, economia, farmacologia, teatro e artes plásticas, organização social e espiritualidade. Ao pé da letra, trata do conhecimento (sofia, no grego) sobre o ser humano (antropos).

A antroposofia acredita que é preciso desenvolver o homem integralmente, considerando sua alimentação, moradia, relacionamentos sociais e econômicos, bem como sua formação intelectual e sua espiritualidade. Um rio de obviedades, com as quais a maioria de nós concorda perfeitamente. A diferença é que os seguidores da antroposofia não apenas concordam como agem de acordo, na contracorrente, mostrando que é possível compor e manter uma sociedade alternativa mesmo dentro das grandes cidades.

Uma pedagogia que respeita a alma

Aos nove anos, os alunos plantam trigo, colhem, moem a farinha, preparam o pão em forninhos de barro que eles próprios fizeram. Assim, aprendem uma das lições do tema "de onde as coisas vêm", que compõe o conteúdo nesse período. Quando aprendem a escrever, fazem o caminho do calígrafo - experimentam o lápis, a pena de ganso, a caneta tinteiro. As aulas de História falam também de lendas e mitos - como o de Atlântida, o continente que foi engolido pelas águas, citado por Platão. O violino, um dos instrumentos mais usados nas classes, estimula a área ao redor do peito - assim, as cordas fazem vibrar o coração, o que promove o despertar das emoções. "Tudo é pensado para acompanhar o desenvolvimento anímico, energético e espiritual", explica Celina Targa, professora da Escola Waldorf Micael, em São Paulo. A escola antroposófica não é feita para pais ansiosos (a alfabetização, por exemplo, só acontece no ano em que a criança completa sete anos).Os pais são convidados a participar, e muito, de todas as atividades. "Pode até se dizer que eles se matriculam junto com o filho", diz Celina.

Espiritualidade na plantação

Outro ramo importante da antroposofia é a agricultura biodinâmica, que, além de ser orgânica (não utiliza adubos, aditivos ou inseticidas químicos), também respeita o caráter energético e vital dos alimentos. A plantação recebe diferentes "preparados". Há fórmulas de inspiração homeopática com base em substâncias naturais como cristal ou esterco, às quais se atribui o poder de concentrar energias. Os insetos podem ser combatidos com o cultivo de vegetais que os afugentam ou, de novo, com preparados energéticos. Os ciclos e influências planetárias também são considerados. Para completar, é comum o agricultor antroposófico ser alguém que se exercita nas artes, que faz teatro e medita. Ele é o que se pode chamar de um homem integral, tal qual sua plantação.

Um dos pioneiros dessa história é o gaúcho Paulo Cabrera, que administra a Estância Demétria e o Sítio Bahia, áreas de agricultura e criação biodinâmicas em Botucatu (a presença da antroposofia nessa cidade é marcante). Assim como quase todos os professores e agricultores Waldorf, ele se especializou na Europa - no caso, o prestigiado curso de Agricultura do Emerson College, na Inglaterra. Cabrera produz vários tipos de laticínios, pães, geléias e mel. "O mais importante é que conseguimos preservar os princípios antroposóficos na maneira de ser. Montamos peças de teatro no Natal, Páscoa e Pentecostes. E temos aulas de euritmia, que trabalha a parte emocional", conta ele. "O sentido mais profundo do nosso trabalho é desenvolver a consciência e a espiritualidade".

Apesar de muitos princípios e crenças, a antroposofia não é dogmática, não exige comprometimento total com suas cartilhas. Também não é seita, nem clube de associados, o que a torna simpática aos novos seguidores. Ao que parece, o conhecimento deixado por Rudolf Steiner está se consolidando naturalmente porque é uma fonte de soluções de bom senso para todos que percebem as relações entre o Homem, o planeta e o divino. E tem mesmo muito a ver com nossas avós. A antroposofia recupera o lado feminino, é o lado do amor, da proteção, do cuidado.

ONDE ENCONTRAR ANTROPOSOFIA
LIVRO
Noções Básicas de Antroposofia e Pedagogia Waldorf, de Rudolf Lanz, ambos da Editora Antroposófica

ESCOLA
Waldorf Micael, São Paulo, recebe pais interessados em conhecer o local e os métodos de ensino: (11) 3782-4892. A Waldorf Rudolf Steiner, também em São Paulo, é pioneira da pedagogia antroposófica: (11) 5523-6655

SITE
Boas informações podem ser obtidas no site www.sab.org