segunda-feira, 7 de outubro de 2013

DEGENERAÇÃO

O advogado Abdon Marinho, descreve algo que serve de alerta para sociedade brasileira, não só para nós, mas para a humanidade, onde os verdadeiros valores estão sendo colocados de lado, e como exemplo, o advogado menciona a política hoje.

Fiquem com essa excelente análise.  :D 





Por Abdon Marinho

Degeneração

Olho para trás, até onde a vista alcança é a memória não trai, numa retrospectiva dos escândalos nacionais, e em todos (ou quase), o que se ver é o envolvimento da nossa classe política. Não tem uma operação policial que não tenha o envolvimento, ainda que indireto, de um vereador, prefeito, deputado, governador, secretário, ministro, etc. Cada vez mais e com mais frequência, a corrupção invade nossas salas, nossas casas, nossos locais de trabalho. É algo aterrador. 

O que me pergunto é desde quando é assim? Será que sempre foi desta forma e as coisas apenas estavam mais mascaradas? Acho que não. Acho que de uns tempos para cá começou a haver uma degeneração onde o errado passou a ser o certo é o certo o errado. As pessoas honestas sentem vergonha se serem honestas. A sociedade parece que conformou-se com esse tipo de coisa. 
Leio num site que um novo dilema toma conta dos lares brasileiros: os pais têm dúvidas se ensinam princípios éticos aos filhos. Temem que os tenham tais princípios sejam prejudicados numa sociedade em que a sociedade cultiva o hábito de se levar vantagem em tudo. A ética seria um péssimo atributo. Vejam onde chegamos. Mas isso vem se solidificando na sociedade faz tempo. Os políticos são reflexos e não espelhos deste novo padrão. A sociedade acha que o político honesto, com princípios éticos são "bestas", que eles devem levar vantagem dos cargos que ocupam, como se dizem, "tirar o seu", dizem isso com tanta naturalidade que chego a desconfiar não serem os corretos, de fato, "bestas". Um amigo eleito para um cargo, cerda vez foi indagado: “fulano, com esse cargo, consegues "tirar" quanto? Um outro outro amigo que já ocupou cargo público disse-me que no seu mandato fez tudo certo, o mais perfeito que se poderia exigir, entretanto caso volte algum dia a ocupar um cargo público fará tudo diferente, fará tudo conforme o “normal” dos dias de hoje. Justificou: aos olhos da sociedade estamos todos na vala comum, com o agravante de que o corrupto tem o poder do metal para se safar melhor do que eu que procurei fazer tudo certo. Tenho um outro amigo que diz se sentir angustiado quando alguém o apresenta informando o cargo que ocupa.

O quadro de desalento me levar a refletir sobre que futuro espera uma sociedade onde os pais temem educar seus filhos dentro de padrões éticos, ensinando-os que é errado fazer o errado para tirar vantagem. Como é possível fazer prosperar uma nação onde o jeitinho toma o lugar do correto? onde ser honesto é motivo para punição e não para reconhecimento? Onde os políticos de bem (os poucos que restam) se sentem mal em serem reconhecidos como políticos ou como homens de bem?

Já disse neste mesmo espaço em outras oportunidades que vivemos uma espécie de degradação moral da sociedade da política em especial. Nunca se tornou tão presente o fato da representação da população ser feita por pessoas que tem no mandato um negócio. 

Nas próximas eleições teremos o coroamento deste modelo. não haverá representação ideológica, a não ser a exceção da exceção. O quadro que se desenha é de deixar qualquer um com um mínimo de pudor, envergonhado e triste. De lado a lado há um pragmatismo tacanho e nojento. Para constatar isso não precisa de muito esforço, apenas ver com quais jogadores cada time vai jogar. Iremos constatar que pessoas que sequer deveriam frequentar livremente os lugares públicos se insinuam para serem representantes do povo, escudados no poderio econômico e político muitos destes serão eleitos. Muitos ainda ousam dizem que são pessoas de bem, que estão na boa causa. Pessoas que nunca deram “um prego numa barra de sabão”, de repente aparecem como postulantes a representação política. O pior de tudo isso é muitos contam com o apoio ou devo dizer cumplicidade, de quem deveria extirpar esse tipo de pessoa da vida pública. Hoje já vemos jornalistas e políticos defenderem diversos nomes para cargos públicos, deputados estaduais e federais. Os que não se elegerem serão agraciados com sinecuras na máquina pública para continuarem a fazer o fim a que se destinam.

Sempre me pergunto: Como é possível que a sociedade não ache esquisito que determinado político gaste muito mais com sua eleição que os salários que irá perceber durante os quatro anos? Como fazem para fechar as contas se o cargo público só paga 100 e ele gastou 500 para se eleger? Será que ninguém ver que o negócio não é licitamente vantajoso e que há algo de muito errado nisso? Como posso achar normal que alguém possa apresentar como credenciais para disputar um mandato eletivo o fato de ser filho, esposa, sobrinho, parente ou aderente de fulano ou sicrano? Como posso aceitar que trata com naturalidade o fato de alguém se propor candidato escudado no poderio econômico do desta ou daquela pessoa? Como posso achar normal que partidos e candidatos aceitem em suas fileiras pessoas de passado duvidoso porque este possuem recursos, muitos recursos, estes nem sempre adquiridos de forma honesta? Como posso achar normal que a imprensa, o quarto poder, tida como os olhos da nação silencie ante este ataque a normalidade democrática e até endosse certas candidaturas?

A caso não sabem o mal que causam a nação? Não seriam, na verdade cúmplices? 

Sei que tem pessoas sérias na política. Ainda vejo muitos querendo fazer a coisa correta. Estes são bem poucos e a cada eleição seu número é reduzido cada vez mais. Nas próximas eleições é capaz não escaparem muitos, se escapar algum.



sábado, 5 de outubro de 2013

Marina fala à Rede sobre coligação com PSB

Que decepção, esperava outra ação vinda da ex-senadora Marina Silva.
Na minha concepção, fazer o novo na política, não é bem assim.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Viciante essa canção...Dígale-David Bisbal

Viu amigo!?Sua culpa...rsrrs



No ha podido olvidar mi corazón
Aquellos ojos tristes soñadores que yo amé
La dejé por conquistar una ilusión
Y perdí su rastro, y ahora sé que es ella
Todo lo que yo buscaba
*CORO*
Y ahora estoy aquí
Buscándola de nuevo Y
Ya no está, se fue
Tal vez usted la ha visto dígale, que yo siempre la adoré 
Y que nunca la olvidé
Que mi vida es un desierto y muero yo de sed
Y dígale también, que sólo junto a ella puedo respirar 
No hay brillo en las estrellas 
Ya ni el sol, me calienta
Y estoy muy solo aquí, no sé a donde fue
Por favor dígale usted
Fueron tantos los momentos que la amé
Que siento sus caricias y su olor esta en mi piel
Cada noche la abrazaba junto a mí
La cubría de besos, y entre mil caricias
La llevaba a la locura

*CORO*
Y ahora estoy aquí
Buscándola de nuevo Y
Ya no está, se fue
Tal vez usted la ha visto dígale, que yo siempre la adoré 
Y que nunca la olvidé
Que mi vida es un desierto y muero yo de sed
Y dígale también, que sólo junto a ella puedo respirar 
No hay brillo en las estrellas 
Ya ni el sol, me calienta
Y estoy muy solo aquí, no sé a donde fue
Por favor dígale usted

Rede Sustentabilidade continuará processo de criação do partido

Do Blog da Marina
A votação de ontem (3/10) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contrária à criação neste momento da Rede Sustentabilidade, não representa uma derrota nem aos seus membros nem à população brasileira que apoia uma nova forma de fazer política no país. Isso resulta tão somente em um atraso no processo irreversível de reformas do país. “Já somos partido político sim. Se agora não temos o registro legal, temos o registro moral perante a sociedade brasileira”, avalia a ex-senadora Marina Silva, uma das idealizadoras da #rede.
Essa determinação dos membros da #Rede é não apenas um desejo nosso, mas uma obrigação para com os 900 mil cidadãos que apoiaram diretamente a criação da Rede Sustentabilidade e os milhões de brasileiros que esperam por mudanças profundas nesse país, as quais os atuais partidos e a atual estrutura do Estado não permitem tornar realidade.
A Rede Sustentabilidade considera o resultado proferido pelo TSE uma clara demonstração dos entraves burocráticos que os brasileiros têm de enfrentar. Exigências descabidas e ilegais por agentes do Estado, atrasos injustificados e regras inaplicáveis foram alguns dos entraves enfrentados pela #Rede ao longo do processo de criação do partido. Da mesma forma, ficou evidente a estrutura precária do Estado brasileiro, incapaz de cumprir as leis que ele impôs a si mesmo. Cartórios com pessoal sem treinamento; falta de insumos básicos para executar o trabalho; inconsistência generalizada nos dados utilizados para comparação das assinaturas. Tudo isso culminou em uma situação paradoxal, na qual o mesmo órgão que exige o cumprimento da lei que prevê 492 mil assinaturas certificadas para aprovar a criação de um partido, não exige o cumprimento de outras que permitiriam viabilizar as certificações nesse montante, como a validação das assinaturas em até 15 dias ou a obrigatoriedade de se justificar todo ato administrativo.
A mobilização da Rede Sustentabilidade continuará inabalável nos próximos dias, meses e anos. Nossos apoiadores acreditam na causa pela qual lutam e se manterão firmes no objetivo de democratizar a democracia brasileira.


Fonte:http://www.minhamarina.org.br/blog/2013/10/rede-sustentabilidade-continuara-processo-de-criacao-do-partido/

Em longa madrugada, Marina Silva assegura que manterá coerência



Ex-senadora reuniu-se com aliados e ouviu apelos tanto para ser candidata por uma nova legenda quanto para adiar o projeto presidencial

BRASÍLIA. Após ver o Tribunal Superior Eleitoral sepultar sua Rede Sustentabilidade, a ex-senadora Marina Silva, segunda colocada nas pesquisas da disputa presidencial, reuniu-se com cerca de 20 aliados mais próximos em um encontro de seis horas que varou a madrugada desta sexta-feira e ouviu apelos tanto para ser candidata por uma nova legenda - o que a obrigaria a filiar-se até amanhã - quanto para adiar o projeto presidencial para 2018 e insistir na criação da Rede. Os presentes chegaram a apresentar uma série de partidos que teriam oferecido legenda à senadora, mas o debate polarizou-se entre a possibilidade de migrar para o PPS ou o PEN. Ao deixar o local às 5h, bem-humorada, a ex-senadora recusou-se a comentar o conteúdo do encontro e destacou que a decisão final só será anunciada no início desta tarde, em Brasília, após um novo encontro - agora oficial - com militantes da Rede.

Um dos únicos momentos em que foi possível, de fora do prédio, ouvir a posição de Marina deu-se por volta das 2h15. Ao retomar a palavra e novamente agradecer a participação de todos os presentes, a ex-senadora defendeu a necessidade de adoção de uma posição de coerência.
- Queremos uma construção que coloque em primeiro lugar a coerência - afirmou.

Ao deixar o prédio, horas depois, ela confirmou ser esse o cerne da decisão que tomará:

- Isso é o que vocês mais ouvem eu falar, é quase um mantra. Vocês acham que eu ia ter uma crise de incoerência?


Mas nem mesmo os presentes sabem dizer o que essa coerência significará. Isso porque ao mesmo tempo em que a senadora disse colocar os interesses do país à frente dos interesses pessoais, houve severas críticas ao eventual ingresso no PPS - pelo fato de sua bancada ter votado majoritariamente a favor do Código Florestal - ou no PEN - cujos caciques seriam figuras sem trajetória conhecida, cujo passado é uma incógnita. Ainda assim, o grupo dos que defenderam a candidatura ainda em 2014, segundo um dos presentes, seria ligeiramente maior. A preocupação, no entanto, é que na negociação com as novas legendas ela assegure que terá o controle da campanha. Independente dessa decisão, a única certeza é que o projeto de criação da Rede como partido político continuará.

- Estamos analisando a situação. Tem muitas questões a serem avaliadas e muitas providências a serem tomadas na continuidade da Rede. Não havíamos discutido alternativas caso o TSE rejeitasse o pedido de registro. Portanto, agora estamos discutindo. Nós construímos até aqui algo muito importante e novo. E isso só é possível porque tem uma outra coisa que dá sustentação que é a credibilidade e a coerência. Qualquer decisão para frente tem de levar em consideração a credibilidade e a coerência em relação a uma nova política - destacou o coordenador-executivo da Rede, Bazileu Margarido, no fim do encontro.

A reunião que varou a madrugada começou logo após a sessão do TSE, por volta das 23h de ontem. O encontro, ocorrido no apartamento de uma amiga de Marina, na Asa Sul de Brasília, foi marcado por fortes posições em defesa das duas teses - a favor e contra a candidatura - e teve momentos de tensão, com um bate-boca entre Marina e um de seus mais antigos aliados, o deputado federal Alfredo Sirkis (PV-RJ). Além de Sirkis, outros três parlamentares estavam presentes: Miro Teixeira (PDT-RJ), Reguffe (PDT-DF) e Walter Feldman (sem partido-SP). Os quatro deputados foram unânimes na defesa de que Marina seja candidata ainda no próximo ano.

Foi justamente ao defender esse ponto que, por volta de 1h30m, Sirkis entrou em conflito com a ex-senadora. Ao contrário dos parlamentares, uma parte significativa dos militantes posicionava-se contrariamente à candidatura alegando que Marina seria constrangida pela imprensa a responder por eventuais desvios de conduta que integrantes dessas legendas cometam, o que poderia sujar sua biografia. Segundo um dos presentes, Sirkis começou a rebater esse argumento alegando que a própria Rede não era perfeita e tinha entre seus quadros pessoas progressistas, de extrema esquerda e também "evangélicos de direita". Foi quando Marina rebateu questionando:

- Quem é evangélica aqui sou eu. Então sou de direita?

Sirkis então se insurgiu e fez uma série de críticas à demora de se tomar a decisão de criar a Rede e, naquele momento, à nova demora em definir sua posição sem compreender que as dificuldades enfrentadas pelos parlamentares que a auxiliaram em seu projeto colocando em risco sua situação em suas atuais legendas e suas perspectivas eleitorais. Irritado, o deputado verde deixou o prédio aceleradamente, negou-se a dar entrevistas e disse que estava indo para o Rio.

Apesar de também terem acompanhado a sessão do TSE com Marina, outras duas figuras de proa da nova legenda, o deputado federal Domingos Dutra (PT-MA) e a vereadora Heloísa Helena (PSOL-AL), não seguiram com o grupo para o debate sobre o futuro da ex-senadora e da Rede. A tendência é que Dutra anuncie ainda hoje sua migração para o Partido Solidariedade. Sirkis pode permanecer no PV, mas também conversa com o PSB, assim como Miro Teixeira, que pode ficar no PDT, mas foi sondado pelo novato PROS. Reguffe, por sua vez, deve permanecer no PDT.

Segundo relatos de pessoas presentes, a senadora ouviu muito mais do que falou. No início do encontro fez um longo agradecimento a todos os presentes pelo esforço na coleta de assinaturas e destacou o fato de todos os ministros do TSE terem elogiado a lisura do pedido, ainda que no fim o número de assinaturas tenha sido insuficiente. Os presentes, no entanto, se alongaram na defesa de suas posições, o que levou a própria senadora a pedir em vários momentos para que tivessem "poder de síntese".

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Único a votar pela Rede, Gilmar diz que houve 'abuso' de cartórios



Ministro votou quando maioria já havia sido formada para rejeitar registro.
Ele defendeu que TSE validasse assinaturas rejeitadas por cartórios.




Único ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a votar pela criação do partido Rede Sustentabilidade, Gilmar Mendes afirmou nesta quinta-feira (3) que a legenda foi alvo de "abuso" por parte dos cartórios em razão da rejeição de 95 mil assinaturas de apoio sem explicações sobre os motivos.

A maioria dos ministros da Corte eleitoral rejeitou o pedido de criação da legenda porque não houve comprovação do apoio mínimo necessário. Com isso, a Rede não poderá participar das eleições de 2014. O partido tinha 442 mil assinaturas validadas, mas a lei exige 492 mil - 0,5% do total dos votos dados aos deputados federais nas últimas eleições.

Marina queria que o TSE revertesse a anulação de 95 mil fichas de apoio, que os cartórios consideraram inaptas, mas o argumento não foi aceito.
Gilmar Mendes, também integrante do Supremo Tribunal Federal, atua no TSE na condição de ministro substituto, em razão de viagem do ministro Dias Toffoli. Ele afirmou, no voto, que é preciso considerar o "princípio da proporcionalidade", uma vez que houve falha nos cartórios.

"Não se trata de aceitar partido com menor número de assinaturas, não. Se trata de dizer que, nesse caso, houve uma situação de abuso que justifica sim o reconhecimento dessas assinaturas que restaram invalidadas sem qualquer motivação. Não se trata de descumprir a legislação, mas de aplicar a legislação. Com o princípio da proporcionalidade", disse Gilmar Mendes.

O ministro lembrou ainda que a própria Marina Silva chegou a descartar assinaturas de apoio, o que mostra o empenho em demonstrar a legalidade do processo de criação. "Não vamos agora dizer 'Continue a trabalhar, senadora Marina. Sempre há carnaval, como sempre há eleição'. Ela nunca deixou de trabalhar. Jogou assinaturas. Assinaturas que não pareciam consistentes foram retiradas. Estou com todo conforto na alma e consciência, divergindo com todo respeito."

Durante o julgamento, vários ministros e o vice-procurador-geral eleitoral, Eugênio Aragão, afirmaram que ela poderia concorrer às eleições dos próximos anos.

No início de seu voto, o ministro Gilmar Mendes lembrou da discussão no Congresso do projeto que inibe a criação de novos partidos. A votação no Senado foi suspensa por uma liminar (decisão provisória) de Mendes. "[O projeto só não foi votado por causa da liminar. Foi vergonhoso casuísmo. A norma tinha nome", disse. Na ocasião, Gilmar Mendes chamou o projeto de "anti-Marina Silva".

O ministro completou que ela passou mais de dois anos criando o partido. "Esse partido está se organizando há mais de dois anos. Enfrentou vicissitudes a partir do projeto de lei, modelo de casuísmo, que nos enche de vergonha."


Fonte: http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/10/unico-votar-pela-rede-gilmar-diz-que-houve-abuso-de-cartorios.html

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

The Economist: Uma entrevista com Marina Silva



Marina Silva nasceu em uma família de seringueiros no Acre, um estado da região amazônica do Brasil. Ela sobreviveu à fome, doenças graves e trabalho duro na infância, para se tornar uma das fundadoras do movimento de ambientalistas e ativistas pelos direitos dos trabalhadores. Em 1970 e 1980, eles organizaram a oposição aos grandes proprietários de terras que mantinham seringueiros em trabalho escravo e limparam a floresta tropical em grande escala pecuária. Desde que foi eleita senadora do Acre, em 1994, ela foi lavrada na política brasileira, atuando como Ministra do Meio Ambiente no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil de 2003 a 2010, antes de deixar o cargo em protesto contra a pressão para enfraquecer a legislação ambiental e, em seguida, deixando o Partido dos Trabalhadores (PT) completamente. Como candidata presidencial do Partido Verde em 2010, Srta. Silva recebeu 19,6 milhões de votos, colocando-a em terceiro lugar. Pesquisas de opinião recentes têm encontrado apoio entre 16-22% para ela como candidata nas eleições presidenciais do próximo ano, mesmo que ela esteja sem partido político. Isso a coloca em segundo lugar na corrida atrás da incumbente, Dilma Roussef do PT. Desde 2011, Srta. Silva tem trabalhado para criar um novo partido, Rede Sustentabilidade. Leis eleitorais do Brasil exigem Rede para coletar 492.000 assinaturas apoiando a sua formação e tê-los autenticados pelos cartórios antes que ela possa ser registrada. A menos que isso seja feito até 05 de outubro, exatamente um ano antes das próximas eleições, o partido não será elegível para candidatos de campo, colocando o futuro político de Marina Silva em dúvida. Embora ela tenha conseguido mais de 900.000 assinaturas, apenas 450 mil haviam sido autenticadas em 27 de setembro, quando o chefe de gabinete do The Economist de São Paulo, conversou com Srta. Silva em seu gabinete em Brasília sobre o programa da Rede para o governo e sua corrida contra o relógio. Segue uma transcrição editada desta conversa.
The Economist: Vamos falar sobre a Rede de Sustentabilidade, o novo partido que você está tentando criar. Como você fica com menos de uma semana para terminar o prazo de 5 de outubro e ainda faltando dezenas de milhares de assinaturas de apoio necessários e validados pelos cartórios?
Marina Silva: Foram coletadas 910 mil assinaturas, a fim de chegar as 492 mil exigidas para o partido ser registrado. Infelizmente a maioria dos cartórios perderam o prazo para a validação das assinaturas – onde há um prazo de 15 dias. Metade das assinaturas foram realizadas fora do prazo legal. Mesmo assim, agora temos mais de 450 mil assinaturas certificadas. E mais 95 mil foram invalidadas de forma ilegal, sem qualquer justificativa. O que exatamente aconteceu cabe os tribunais eleitorais para julgar. Teremos 550 mil assinaturas, pelo menos, se eles desfazerem esse erro e aceitar essas assinaturas. Temos presença em todos os estados e no Distrito Federal, em mais de 3.000 municípios. Temos mais de 12 mil voluntários coletando assinaturas. Enviamos mais de 668 mil assinaturas para os cartórios dentro do prazo legal. Este é um partido que não é apenas um nome que tem apoio. Mas, obviamente, havia algo acontecendo do lado dos cartórios que os tribunais eleitorais terão de julgar. Alguns estados tiveram índices de rejeição que eram discrepantes. A taxa de rejeição de assinaturas nacionais excluindo São Paulo e Brasília era de 19%, São Paulo e Brasília empurraram para 25%, tendo São Paulo tendo uma taxa de rejeição de 35% atingindo mais de 50% no ABC Paulista (uma região industrial em o PT é muito forte). Talvez os tribunais eleitorais possam descobrir o que aconteceu, porque este comportamento atípico faria o registro do nosso partido inviável.
Qual é o seu plano B?
Não tenho um. Eu só tenho o plano A. Tenho certeza de que os ministros do tribunal eleitoral irão basear suas decisões sobre os fatos, sobre as provas. Eu não tenho nenhuma razão para desconfiar disso. Eu realmente acredito que vamos conseguir registrar o partido: nós temos cumprido todos os requisitos legais. É inegável que temos o apoio da sociedade. Não pode ser que a gente acabe tendo que pagar o preço de alguns cartórios, rejeitando ilegalmente assinaturas.
Os resultados das eleições de 2010 também são uma indicação de apoio social, certo?
Não discordo com os requisitos legais para a fundação de um novo partido. O que não podemos aceitar é uma ação, deliberada ou não, que nos impede de cumpri-las. E é por isso que estão se voltando para o tribunal.
Por que não começar mais cedo?
Começamos no momento certo. Nós começamos como um movimento, que precisava ganhar profundidade e amplitude antes que pudesse formar um partido político. Você não pode simplesmente começar por criar um partido político – partidos políticos começam com a sociedade. Começamos em 2011, e tomou a decisão de criar o partido político no dia 16 de fevereiro de 2012 e desde então, conseguimos obter mais de 900 mil assinaturas em apoio à criação do partido. É uma postura ética – não criar um partido até você ter o apoio necessário da sociedade.
Hoje, mais uma pesquisa de opinião mostra que o apoio para você como presidente está caindo do ponto mais alto alcançado após os protestos. O que aconteceu?
Eu vou dizer a você o que eu sempre digo sobre pesquisas de opinião: ainda é cedo. Os eleitores ainda estão formando suas opiniões. E eu tenho uma longa história com as pesquisas de opinião. Em 2010, as urnas estavam me dando 9%. Na última semana, 15%. Eu tenho 19,6%. Na minha primeira eleição ao Senado, as pesquisas me colocaram em último lugar, eu vim pela primeira vez com 75% dos votos. Assim, as pesquisas na melhor das hipóteses, reflete um momento e nem sempre conseguem captar as reais intenções dos eleitores.
Um colega meu, um ex-correspondente no Brasil, que a entrevistou em 2010 e escreveu que você era uma daqueles raros políticos que parece “muito integra para ser jogada em um duelo eleitoral em uma democracia gigante.” Alguns brasileiros, talvez, concordem porque você tem essa posição de ser uma voz ética na política brasileira e alguns brasileiros, no mínimo, podem pensar que seria melhor ter um líder que sabe tomar parte nesse duelo. Honestamente, você quer ser presidente de um país, ou você quer ser uma voz ética que não tem compromisso?
Vejo a política como serviço. Este serviço pode ser, como presidente, poderia ser como professora, uma senadora, uma ministra de governo, uma cidadã. Quando Lula se tornou presidente e me convidou para ser sua Ministra do Meio Ambiente, muitas pessoas disseram: “Você é um ponto de referência para o ambientalismo, se você entrar no governo, você não terá o apoio que precisa e vai se prejudicar.” Mas eu pensei que, se eu não aproveitasse esta oportunidade de colocar em prática as ideias que eu acredito, talvez eu não seja realmente como um ponto de referência, afinal. E logo depois de entrar no Ministério do Meio Ambiente, conseguimos, talvez, uma das medidas ambientais mais importantes tomadas na história do Brasil: Um plano de combate ao desmatamento. Ele trouxe a diminuição do desmatamento em mais de 80% desde então, economizando mais de 4 bilhões de toneladas de CO² emitidas. Nós também conseguimos criar 24 mil hectares de novas áreas de conservação e muitas outras ações estratégicas contra o desmatamento predatório. Houve tentativas de derrubar o plano, mas eles não conseguiram. Infelizmente, o atual governo mudou a lei (o Código Florestal, que regula o uso da terra em todo o Brasil e é mais rigorosa em áreas de floresta) e o desmatamento está crescendo novamente.
Você saiu do governo em um momento de alta tensão entre as suas prioridades ambientais e as maiores correntes desenvolvimentistas dentro do governo.
Minha partida foi um ato político. Ele colocou pressão sobre o governo para não derrubar ou enfraquecer o plano de combate ao desmatamento. Saí em um momento em que havia uma pressão do Ministério da Agricultura, do então governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (um grande produtor de soja) para tentar revogar essas medidas.
Mas você não seria capaz de renunciar à presidência em algum momento de alta tensão...
Se eu tivesse ficado, teria vencido. Minha partida foi a mais forte possível crítica do que estava acontecendo, e ela criou pressão da opinião pública, nacional e internacional e deu ao presidente Lula, a força que ele precisava para se opor aqueles que procuravam enfraquecer as leis ambientais. Meu objetivo não era manter o meu trabalho, que era para manter o meu plano. Foi uma escolha ética. As decisões políticas sempre tem de ser guiadas por decisões éticas.
Em algum similar momento de pressão na presidência, como você lidaria com isso? Viraria para as ruas?
Não estou ainda na posição de um presidente! Mas se você governar de acordo com um programa e tendo uma agenda estratégica, você não pode ignorar a sociedade na implementação dessa agenda. Você não pode pensar que isso é algo que você pode ‘fazer para’ a sociedade sem ter criado essa agenda em conjunto com a sociedade. O grande problema que estamos enfrentando agora é que há uma completa separação entre uma sociedade que quer um Brasil melhor e, os políticos que imaginam que é sua prerrogativa de fazer as coisas para a sociedade da maneira que quiser. Que podem, por sua posição de representantes, substituir o representado. A democracia representativa não significa excluir as vozes daqueles que estão sendo representados.
Rede claramente tem um forte foco no meio ambiente, mas governar um país requer políticas em muitas outras áreas, por exemplo, a economia.
Nosso princípio básico é o desenvolvimento sustentável. Isso é sobre não apenas o ambiente, mas também tudo a ver com o modelo de desenvolvimento social e econômico. Neste modelo, você está consciente de ter que preservar a base do seu desenvolvimento, que são os recursos naturais. No Brasil, isso significa que, necessariamente, grandes investimentos em educação, tecnologia e inovação, de modo que podemos converter nossas vantagens comparativas em vantagens competitivas. O Brasil é o país com mais sol no mundo, e num momento em que estamos à procura de fontes de energia para substituir os combustíveis fosseis, essa é uma grande vantagem comparativa. O problema é que até agora, infelizmente – e esse governo não é diferente – os governos não têm valorizado esta importante fonte de energia. O Brasil tem também invejáveis hidrelétricas como recursos e se os impactos do desenvolvimento social, ambiental e cultural são bem tratados, esse potencial deve ser utilizado também. Há um enorme potencial em energia eólica e biomassa. Temos uma grande quantidade de terra disponível para a agricultura, tecnologia para dobrar nossa produção sem derrubar mais uma árvore e 11% de água doce do mundo. O Brasil no século 21 tem tudo o que precisa, tanto para preservar estes bens e usá-los para dar uma vida digna a todos os seus cidadãos. É essencial, porém, investir em infraestrutura para se tornar mais produtivo. Hoje nós perdemos cerca de 30% da nossa produção agrícola por causa de problemas de logística, incluindo a falta de armazenamento e pobres canais de transporte.
Uma das coisas que torna difícil a construção de infraestrutura no Brasil é o complicado processo de obtenção de licenças ambientais. Como você lida com essa dificuldade?
Eu não concordo que o licenciamento ambiental atrapalhe as coisas. Os processos podem ser mais simples e rápidos, e não é razoável que gastamos bilhões e bilhões em infraestrutura, sem investir um único centavo na criação de um sistema de licenciamento correspondente ao tamanho desses investimentos. Mas quem conhece o setor sabe que, com o aumento do número de técnicos e o fortalecimento das direções é perfeitamente possível para acelerar as coisas.
Os processos em si não precisam simplificar?
Muitas coisas precisam de ajuste. Mas muitas coisas que as pessoas chamam de burocracia são problemas reais que precisam ser resolvidos. Você não pode dizer que é a burocracia de ter de encontrar uma solução para as populações indígenas locais. Ou ter para proteger a biodiversidade. Ou garantir que quando você construir um reservatório de uma usina hidrelétrica, você não aumentará a malaria, por aumentar a população de mosquitos. O que queremos é um sistema de licenciamento que encapsula os dois aspectos: a necessidade de investimentos estratégicos e de proteção social, ambiental e cultural. Quantos estes não são atendidos, provoca insegurança jurídica e atraso, porque isso significa que a promotoria pública entrou e afetou o trabalho. Quando eles assumem, as coisas se movem para frente. No plano econômico, o Brasil tem um desafio político grande. Nossa política é muito retrograda, e que ameaça os avanços econômicos e sociais que conseguimos nos últimos anos. Há uma visão excessivamente patrocinada e focada visão política, acima de tudo, dentro dos partidos políticos. A forma como os trabalhos do governo e ministérios são repartidas entre os partidos da coalizão governante, a fim de manter o seu apoio é insustentável. Temos, agora, quase 40 ministros e que tem avançado os custos do governo. Ele tornou excessivamente intervencionista também, porque para manter seus índices de aprovação, o governo se apresenta como o grande provedor de absolutamente tudo. Isso leva a uma visão equivocada de como o setor público e privado devem interagir. A decisão de leiloar concessões de infraestrutura foi tomada muito tarde e uma que foi tomada, o governo continuou com uma atitude muito controladora, inclusive em relação à taxa de retorno sobre os investimentos privados, e que adiou muitos investidores. Em seguida, ele tentou mudar sua atitude, a fim de obter o programa seguindo, mas mesmo assim ainda há um clima de desconfiança.
O que você faria diferente?
O importante é ter regras claras que são as mesmas para todos. Para criar um ambiente onde todos possam competir em igualdade de condições. Se você estabelecer critérios claros em relação à qualidade e acesso, o setor privado vai encontrar o caminho para fornecer os bens e serviços com o lucro necessário.
Essa é uma visão muito ortodoxa.
Bem, a visão de um Estado que fornece tudo é ortodoxo para um segmento da sociedade brasileira também! Mas a ideia de que você pode ter qualidade, o acesso e a presença do Estado onde o setor privado não é capaz de fornecer, esta não é a ortodoxia clássica. É uma visão do Estado que não é nem o provedor de tudo, nem o estado em que é apenas um regulador, onde o mercado controla tudo. Porque isso não está correto também. A crise nos Estados Unidos e em outros lugares tinha a ver com a crença de que o mercado seria capaz de fazer tudo, e quando não poderia, o Estado teve que entrar em cena. Eu acho que essa é outra forma de seguir em frente entre os dois extremos, em que o Estado não é o provedor de tudo, nem um mero cão de guarda, mas uma força mobilizadora integrando o melhor do mercado e da sociedade como um todo, a fim de enfrentar grandes desafios pela frente.
Isso soa muito como a “terceira via”, uma visão de um primeiro-ministro anterior do Reino Unido, Tony Blair.
Eu acho que vai, além disso, em sua ênfase na sustentabilidade como base para tudo. Que traz o pensamento de longo prazo para os horizontes da política de curto prazo.
Você acha que a política brasileira é particularmente de mero curto prazo?
Eu acho que o imediatismo é um problema na política em todo o mundo. Por exemplo, na reunião Rio+20 (A cúpula ambiental global no Rio de Janeiro no ano passado) países decidiram mudar os recursos, longe de resolver a crise ambiental no sentido de resolver a crise econômica, mesmo que o primeiro seja mais grave. Não é o momento certo para estar pensando apenas nas próximas eleições, e não no Brasil, não na Grã-Bretanha, e não nos Estados Unidos. É o momento de estar fazendo o que é necessário agora, mas também para pensar das gerações vindouras.
A minha impressão é que a política no Brasil é particularmente de mero curto prazo e venal, com o velho e bem conhecido Toma Lá, Dá Cá ("dar e receber", como os brasileiros chamam o processo pelo qual as negociações de cargos executivos e gastos pork barrel em troca de apoio legislativo). Como você lidaria com este lado mais tradicional da política brasileira, tentando manter a sua reputação como uma voz ética na política?
Eu acho que seria difícil de responder para qualquer um que faz esse tipo de política. Mas quando você pensa em um país com o potencial do Brasil, que desde o início deste século, tem conseguido quebrar paradigmas antigos e criar novos, como pode ser possível continuar a fazer esse tipo de política? Então a questão é, como se mover para um novo modelo político? Eu vejo dois caminhos. O primeiro é ter um programa, e não mero pragmatismo, um plano para o país, não apenas para se manter no poder. Uma visão estratégica para os próximos 20, 30, 40 anos, em que seus objetivos tenham sido acordados com a sociedade e está totalmente comprometida com eles. Em seguida, é a sociedade que governa. Isto permite-lhe escapar desta forma predatória de fazer política. Em uma democracia, a alternância de poder é muito saudável, e por isso estamos trabalhando em uma segunda agenda acima dessa, que é um realinhamento político histórico. Nós já recuperamos nossa democracia (o Brasil foi governado por uma ditadura militar entre 1964 e 1985, com a democracia plena só restaurada em 1989). Nós conseguimos consolidá-lo, mas infelizmente os governos ainda foram obrigados a governar com os detritos que restou da "Velha Republica" ( este é o nome geralmente dado ao período de 1889-1930 , mas a Sra. Silva usa -o em um sentido mais amplo para significar um estilo clientelista fora de moda da política) . Tanto o PT (que detém a Presidência desde 2003) e do PSDB ( Partido da Social Democracia Brasileira, o maior partido de oposição do Brasil, que governou 1994-2002) acabou refém da República Velha. Mas agora é o momento para um realinhamento histórico, em que a "Nova República " começa a governar o país .
Assim, para além de desenvolver um programa de governo, se a Rede de Sustentabilidade for criada e seu candidato for eleito, ele iria buscar o apoio das melhores partes do PT e do PSDB. Porque eles são a Nova República, e foram chamados pela sociedade, que saíram às ruas para exigir isso deles, põem fim a lógica da República Velha, que não tem mais o apoio da sociedade.
Mas a República Velha ainda é muito forte.
Sim, mas o povo brasileiro é mais forte. Foi o povo que trouxe o retorno à democracia (em 1985, a ditadura militar se afastou depois de manifestações de rua massivas) . Eram as pessoas que tornaram possível recuperar a estabilidade econômica, em um período muito difícil (Brasil conquistou a hiperinflação em 1993, com o Plano Real). Foi o povo que forçou a política resgatar 30 milhões de pessoas da pobreza extrema na última década. E foram as pessoas que saíram às ruas em junho, para exigir um novo alinhamento político no Brasil.
Isso para você, em seguida, foi a mensagem das ruas, que é hora de levantar-se para a República Velha?
A mensagem dos protestos de junho foi de que as pessoas querem um Brasil melhor. Ele não é apenas um fenômeno brasileiro em todo o mundo, as sociedades estão a exigir uma melhor qualidade da representação política, e maior espaço para participar. A internet é uma ferramenta poderosa que nos permite manter contato em tempo real. Se as pessoas pensavam que a internet iria revolucionar negócios, ciência, tecnologia, cultura e espiritualidade, mas a política iria continuar da mesma velha maneira, eu não posso ir junto com isso. A política está mudando e vai mudar mais. As pessoas estão exigindo um mundo melhor, no qual os bens e serviços fornecidos pelo governo ou iniciativa privada possam cumprir fins sociais e ambientais.
Seria justo dizer que o governo entendeu mal a mensagem das ruas, então? Que esse pensamento que estava sendo exigido era mais o consumo e os salários mais elevados, ou seja, mais do mesmo?
Acho que houve uma crença muito difundida de que uma vez que os princípios básicos da vida foram fornecidos - por comida, um pouco de educação que ainda deixou muito a desejar em termos de qualidade - que isso era o suficiente. Mas as novas classes médias estão exigindo mais do que o pão. Eles querem alta qualidade na educação e em outros serviços públicos. As manifestações mostraram que embora tenha havido melhorias no interior da casa, quando as pessoas olham para a escola ou para o transporte, eles não encontram a qualidade que eles gostariam. Isso é o que estamos ouvindo: a multiplicidade de vozes que exigem qualidade na educação, transporte, saúde e assim por diante.
Algumas pessoas dizem que isto está fora de foco, mas isso não é certo. O que une essas demandas é que todos eles são para um Brasil melhor, um mundo melhor. Cada pessoa, ao expressar isso, inicia-se com a necessidade do que mais se aproxima, com certeza, mas não deve ser entendido como um individualista, a procura exclusiva. Alguém que exige um hospital " padrão FIFA " não está exigindo isso só para si, mas para todos. (Protestos de junho coincidiu com a Copa das Confederações, um ensaio para a Copa do Mundo do próximo ano, que o Brasil sediará , e muitos manifestantes carregavam cartazes exigindo serviços públicos e infraestrutura do mesmo alto padrão como os estádios Brasil estão construindo para satisfazer a FIFA , o órgão mundial de futebol) Quando alguém diz que quer ter capacidade de dar uma volta em sua cidade, eles não estão dizendo isso apenas por si, mas para todos. Exigências de segurança não são para uma pessoa, eles são para todos. A sociedade brasileira está aprendendo muito rapidamente que, em vez de querer viver em uma bolha , as pessoas querem um ecossistema que permite que todos possam florescer.
Quais são os passos concretos que devem ser tomadas para melhorar, por exemplo, a educação?
Concordo com a recente decisão do Congresso para se destinar 10% do PIB para a educação. É correto, porque é um enorme desafio para transformar as nossas vantagens comparativas em vantagens competitivas , e sem educação de qualidade, ele simplesmente não vai ser possível. Também é importante porque o desenvolvimento que temos que começar é um planejamento de longo prazo. Os investimentos precisam continuar, temos que acabar com este negócio de o governo a mudar e as prioridades mudando com ele. Na área da saúde, educação, infraestrutura. Essa continuidade é necessária também para a confiança empresarial.
De onde vem esta falta de confiança dos empresários?
Quando toda vez que você está tendo que substituir os ministros por causa da corrupção, quando você tem os bancos públicos decidindo quem tem acesso ao crédito, sem critérios claros decididos no Congresso, mesmo que você esteja falando de dinheiro público, cria-se uma falta de confiança. Quando a inflação ameaça subir acima do alcance do topo da faixa, quando as regras macroeconômicas estão enfraquecidas, cria-se uma falta de confiança.
O Brasil apresenta altos impostos para um país de renda média superior. Você acha que os impostos precisam subir ainda mais para acomodar novas demandas, ou é uma questão de mudança de prioridades dentro do gasto total?
A qualidade da despesa pública precisa ser melhorada e muito. Hoje, os contribuintes sabem que eles estão tendo um fardo pesado, mas quando eles olham para receber os benefícios, a boa infraestrutura , hospitais e escolas não estão lá. Parte do gasto extra na educação virá do pré- sal (vastos campos de petróleo em águas ultraprofundas do Brasil, descobertos em 2007 e ainda não está em plena produção) . É um desafio difícil: hoje, não podemos fazer nada sem o óleo, que é um combustível fóssil e muito prejudicial, mas é essencial usar essas riquezas para investir em tecnologia que nos permitirá substituir por fontes renováveis. Devemos usar esses recursos tanto para melhorar a educação e para estabelecer uma base sustentável para a geração de energia a longo prazo.
Certamente os recursos do pré-sal não serão suficientes para dobrar os gastos com educação. E não é apenas melhores escolas que os brasileiros querem: eles querem melhores cuidados de saúde e de transporte também. O Brasil ainda não chegou ao ponto de fazer escolhas: ele quer mais de tudo. Isso é compreensível, mas em algum momento, as prioridades de gastos precisam mudar, ele não pode ser apenas mais de tudo.
Bem, uma maior eficiência ajudaria muito e bloqueando o dreno da corrupção pública ajudaria muito também. Neste momento, o Ministério do Trabalho está sendo investigado por desvio de 400 milhões de reais ($ 178m) ilegalmente , e isso é uma constante no Brasil, todo o tempo que estão substituindo os ministros para essas coisas. Precisamos criar mecanismos que diminuem a corrupção e um melhor controle de gastos públicos. Hoje em dia é perfeitamente possível colocar todos os dados on-line em tempo real, acesso aberto, por isso a sociedade pode fiscalizar o que está sendo gasto. Se estamos a gastar uma grande parte do orçamento na criação de mais e mais ministérios, mais e mais empregos públicos para acomodar aliados políticos , é realmente um desperdício. A despesa tem de se tornar mais eficiente, para que possamos gastar em melhores serviços e investimento.
Mas o combate à corrupção vai além do controle e fiscalização: é preciso acabar com a impunidade. Quando aqueles que são considerados como quebradores das regras percebem uma chance muito baixa que eles serão punidos, aumenta o número de dispostos a correr esse risco. Quando você tem um maior grau de certeza de ser pego e ser punido, você terá uma quebra muito significativa em corrupção . A transparência também inibe a corrupção: quando você sabe que está sendo observado não apenas pelos cães de guarda do governo habituais, como o gabinete do Ministério Público, mas pela sociedade, isso vai ajudar muito.
Mas a corrupção só vai ser suprida ao ser abordada, quando deixar de ser visto como responsabilidade do governo e começar a ser visto como responsabilidade da sociedade. Foi somente quando a escravidão era vista como um problema social e não um problema para o governo, que foi terminado. Foi a mesma coisa com a ditadura no Brasil, e, em seguida, a instabilidade econômica, e depois com a pobreza extrema: estes foram finalmente tratados, uma vez que deixaram de ser vistos como problemas para o governo para resolver e foram adotadas pela sociedade. Vai ser a mesma coisa com a corrupção, e ele já começou. Aqueles que pensam que as coisas vão voltar ao normal só estão se enganando. Isso nunca vai ser o mesmo após os protestos.
Essa é uma visão muito otimista.
É uma visão persistente! Ele vem da minha experiência: 25 anos atrás, eu estava com Chico Mendes com os seringueiros em Xapuri no Acre, lutando por sua sobrevivência e para a sobrevivência da floresta tropical. Éramos um punhado de pesquisadores e um punhado de seringueiros e povos indígenas. Agora, a pesquisa mais recente mostra que 95% dos brasileiros estão dispostos a pagar mais por alimentos que não prejudicam a floresta. Isso não aconteceu por causa de tanto otimismo ou pessimismo, mas por causa da persistência.
O Brasil tem apenas crescido nos últimos anos. O que aconteceu - o governo entendeu errado?
Meu amigo, o economista Eduardo Giannetti sempre diz que em algum momento os mercados financeiros globais tornaram-se excessivamente otimistas sobre o Brasil e agora eles são excessivamente pessimistas. Há certamente uma abundância de problemas que precisam ser enfrentados honestamente . Mas não depende apenas de ações do governo, estamos em um mundo globalizado. O que acontece na Europa ou nos Estados Unidos tem um impacto aqui.
Mas, por outro lado, eu sou uma crítica de algumas ações do governo. Nós negligenciamos a importância da execução de um grande superávit primário (governos brasileiros anteriores geralmente dirigiram mais de 3% do PIB para as amortizações principais da dívida e dos juros; que desde 2011 caíram) . Temos sido negligentes com a meta de inflação (Banco Central do Brasil deve usar as taxas de juros para manter a inflação perto de 4,5% , dentro de uma faixa de tolerância 2,5-6,5 %, mas desde meados de 2011, as taxas foram reduzidas , mesmo quando a inflação foi esbarrar contra o limite de 6,5%) . A parte superior da faixa de tolerância, tem vindo a ser tratado como o próprio alvo. Em um momento de grandes oportunidades, não fizemos os investimentos estratégicos necessários em educação, tecnologia e infraestrutura física e agora temos que nadar contra a maré. Quando a crise veio em 2009, foram tomadas as medidas de estímulo correto (o governo injetou crédito barato na economia via bancos públicos e consumo locais apoiadas cortando impostos de vendas). Mas quando a economia começou a se recuperar, deveríamos ter começado a retirar as medidas de estímulo, e isso não foi feito.

É errado culpar tudo no governo, quando as condições globais desempenham um papel, mas por outro lado, os governos precisam aprender a mesma lição. Quando as coisas estão indo bem, é tudo por causa de suas políticas, quando as coisas estão indo mal, é tudo a ver com condições externas! Se não parar de ser complacentes com os nossos erros, nunca vamos aprender as lições que devem partir deles, ou como evitar repetí-los.

Fonte: http://www.economist.com/blogs/americasview/2013/09/interview-marina-silva-0

Rede Sustentabilidade está confiante no julgamento do TSE





Sobre a notícia divulgada na tarde desta quarta-feira pelo Portal Brasil 24/7, a Rede Sustentabilidade esclarece que está inteiramente focada no julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), previsto para esta quinta-feira, dia 3 de outubro, e não discute a possibilidade de ingressar com qualquer ação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). A #Rede considera que a informação difundida pelo veículo, além de ser infundada, tem o único objetivo de desestabilizar o processo de criação do partido e criar distrações.
Na última semana, a porta-voz da Rede Sustentabilidade, Marina Silva, teve a oportunidade de conversar pessoalmente em audiências formais com todos os ministros e ministras do TSE. Nessas audiências, foi possível expor em detalhes os argumentos, os dados e os principais documentos que atestam os esforços empenhados pela #Rede para obtenção de seu registro. 

A #Rede confia na seriedade, responsabilidade e integridade do Tribunal Superior Eleitoral e tem certeza de que ofereceu, nos autos, todos os elementos fáticos e jurídicos objetivos para que uma decisão favorável ao registro do novo partido possa ser tomada nesta quinta-feira.



terça-feira, 1 de outubro de 2013

Canção de todos os dias...




Me Ajude a Melhorar
(Eli Soares)
Meu pai o mundo insiste em me comprar
Mas eu não quero o que vem de lá
Quero agora a glória de Deus
Eu cansei
Já não quero mais viver pra mim
De uma vez por todas vou me esvaziar
Vou mandar embora o que não é seu
Me perdoa todas as vezes que eu ti entristeci
Não pensei em cristo só pensei em mim
Me ajude a melhorar
Me ajude a melhorar
Sozinho eu não consigo mais (eu sei)
Eu sou humano e só sei errar
Me ajude a melhorar




Frase do Dia


Uma em cada oito pessoas no mundo passa fome

Marcos do desenvolvimento: socialização

Escrito para o BabyCenter Brasil
Aprovado pelo Conselho Médico do BabyCenter Brasil

Socialização
Como é que seu filho entende a relação dele com outras pessoas? Como e quando ele começa a fazer amigos? O pai e a mãe são os primeiros companheiros de brincadeira dos bebês, além de ser os favoritos.

Você vai observar como seu filho abrirá um sorriso só de ouvir sua voz, ver seu rosto ou ser tocado por suas mãos. Cabe a você ajudar a criança a se familiarizar com outras pessoas e passar a gostar da presença delas também. É o que dá início ao desenvolvimento do traquejo social.

Quando acontece
Entre o nascimento e os 3 anos, as habilidades sociais da criança gradualmente amadurecem. Desde o momento em que nasce, seu filho aprende a se adaptar e a responder às pessoas em volta.

Durante o primeiro ano, ele se concentra principalmente em descobrir do que é capaz (segurar coisas e andar, por exemplo) e em interagir com os pais.

Por volta dos 2 anos, começa a gostar de brincar com outras crianças. Mas vai precisar de treino para entender como essa socialização funciona -- a princípio, seu filho não vai querer dividir brinquedos com ninguém.

Ao atingir 3 anos, estará a caminho de fazer os primeiros amigos para valer.

Como acontece
Um mês 

Até os recém-nascidos são de alguma forma sociáveis. Eles adoram ser tocados, segurados e acariciados, e o aconchego do colo.

Já no primeiro mês de vida, seu filho vai começar a fazer caretas para você e a gostar de olhar e até imitar alguns gestos. Mostre a língua e veja como ele faz a mesma coisa.

Três meses 

Nessa fase, o bebê vai passar as horas em que fica acordado só observando o que acontece ao seu redor.

Ele provavelmente dará o primeiro sorriso de verdade (sorriso social) e, em pouco tempo, será especialista em iniciar uma brincadeira de dar risada e fazer barulhinhos ao mesmo tempo.

Quatro meses

Mais aberto a desconhecidos, seu filho dará gritinhos de alegria.

 Mas nessa idade ninguém se iguala a papai e mamãe, que sempre receberão as reações mais efusivas. Esse é um sinal claro de vínculo.

Sete meses 

Seu bebê pode começar a se interessar por outros bebês, o que geralmente quer dizer meros olhares e um eventual toque. Às vezes, eles chegam a trocar sorrisos e imitar sons um do outro.

Quando duas crianças com menos de 1 ano são colocadas lado a lado e diante de brinquedos, elas costumam continuar próximas, mas cada uma com seu brinquedo escolhido.

Os bebês nessa fase realmente gostam mais da própria família e podem até apresentar medo perto de caras novas.

Doze meses 

Ao final do primeiro ano de vida, seu filho às vezes dará a impressão de ser meio anti-social, chorando quando você sair de perto ou ficando bravo no colo de outra pessoa.

 Muitas crianças sofrem com a ansiedade de separação, algo que se exacerba entre 10 meses e 1 ano e meio.

Entre 1 e 2 anos 

Daqui para a frente a história muda. As crianças ficam mais interessadas em relação a tudo.

À medida que desenvolve a fala e a comunicação com os outros, seu filho também vai aprender a fazer amigos e a brincar com crianças de todas as idades.

Entre 1 e 2 anos, no entanto, os bebês são bastante possessivos com seus brinquedos.

Observe como seu filho imita outras crianças e fica um tempão só olhando o que elas fazem.

Nesse estágio, aparecem novos sinais de independência, como a recusa em dar a mão para atravessar a rua ou o escândalo quando você diz a ele que não pode fazer alguma coisa.

De 2 a 3 anos 


As crianças costumam ficar ainda mais autocentradas entre 2 e 3 anos. Elas ainda têm dificuldade em entender o que as outras pessoas sentem. Com o tempo, aprendem a compartilhar e a esperar a vez.

O que vem pela frente
É da natureza das crianças adorar estar perto de pessoas, principalmente outras crianças, com quem aprenderão muitas coisas.

Com o crescimento, seu filho vai aprender cada vez melhor como responder às interações sociais, e seu prazer de estar com os outros só aumentará.

As amizades ficarão mais duradouras uma vez que a criança compreenda que os colegas de brincadeiras podem ficar tristes e magoados com certas atitudes.

O que você pode fazer
Dedique bastante tempo para seu bebê, principalmente nos primeiros meses. Eles adoram visitas, então não deixe de convidar amigos e a família para estar com vocês.

Se seu filho demonstrar ansiedade na presença de gente estranha, não fique constrangida. Isso é comum por volta dos 7 meses.

 Quando você der o bebê para um parente mais distante segurar e ele chorar, pegue-o de volta e tente um pouquinho depois, porque quem sabe ele já terá se acostumado. É importante esperar que ele primeiro se sinta seguro de novo para aí então fazer outra tentativa. Se ainda assim o bebê chorar, não insista e deixe para outro dia.

Para as crianças mais velhas, a convivência com outras é fundamental, por isso convide amiguinhos e primos para brincar na sua casa e deixe um monte de brinquedos disponíveis para eles se distraírem. Vale lembrar que muitas crianças não gostam de dividir suas coisas com os outros.

Caso seu filho de 2 ou 3 anos pareça egoísta demais, pode ser que você ache que a culpa é sua, por tê-lo mimado ou "estragado". O melhor é não esquentar a cabeça com isso: as crianças são autocentradas por natureza.

O que não quer dizer que não seja bom mostrar a elas como devem se comportar. Elogie um amigo do seu filho que emprestou um brinquedo ou que teve uma atitude generosa, já que as crianças também aprendem através de exemplos.

Quando se preocupar
A partir do primeiro aniversário, se seu bebê parecer desinteressado pelo contato com outras pessoas que não sejam pai ou mãe, ou nem mesmo os dois, converse com o pediatra. Entre outras possibilidades, ele pode estar com algum problema de audição.

No caso das crianças mais velhas (entre 1 e 3 anos), também não deixe de mencionar para o médico se elas tiverem comportamento extremamente agressivo e não conseguirem interagir com outras sem morder, bater ou empurrar.

Comportamentos assim às vezes são fruto de medo ou insegurança, e um especialista saberá sugerir formas de lidar com as necessidades do seu filho. (Alguns bebês chegam a passar por uma fase de mordidas nas escola, mas isso geralmente é mais ligado à vontade de explorar o potencial dos dentes.)

É claro que todas as crianças têm momentos de agressividade, especialmente se querem um brinquedo, no entanto esse comportamento não é constante.